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Pão em todas as mesas

“Pão em todas as mesas” é o tema o XVIII Congresso Eucarístico Nacional que estava programado para novembro de 2020 em Recife, mas que devido a pandemia, vai se realizar agora, de 11 a 15 deste mês. A Arquidiocese de Olinda e Recife recebeu o III Congresso Eucarístico em 1939, durante a Guerra Mundial. Não muito diferente é o contexto mundial hoje. As guerras, os conflitos, a falta de sensibilidade, a fome que ronda pelo mundo e em nosso país, pessoas fugindo de seu país devido a perseguição religiosa… A essas e outras situações, a Igreja do Brasil responde congregando e chamando para a solidariedade e a partilha.

A palavra “Congresso” significa “caminhar juntos” como assembleia reunida. Na introdução do texto base, lemos: “cada Congresso Eucarístico se torna uma expressão real de como nós, católicos, entendemos e vivemos o mistério da Eucaristia na Igreja… à medida que revelarmos a face da unidade, comunhão e participação”.

O lema, “E todos repartiam o pão e não havia necessitados entre eles” (cf At 4,32ss) salienta a dimensão social e profética da ceia do Senhor como mesa aberta a todos e como sacramento da partilha e da justiça econômico-social. É vocação de toda a Igreja fazer com que a Eucaristia seja realmente pão para todas as mesas e não somente para algumas. Para que o Congresso Eucarístico seja do agrado de Jesus e nossas celebrações sejam atos de comunhão aberta a toda a humanidade, devemos nos dispor ao diálogo com os movimentos sociais e todos os homens e mulheres de boa vontade.

Quando falamos de Eucaristia pensamos logo nos sinais do pão e do vinho, mas a comunidade cristã, reunida como assembleia litúrgica, é o próprio sacramento eucarístico. Corresponde ao que afirma De Lubac: “A Igreja faz a Eucaristia e a Eucaristia faz a Igreja”. O Cardeal Martini dizia de outra forma: “A Eucaristia é a forma da vida da Igreja”. Nossa vida cristã católica precisa ser eucarística.

A Eucaristia recorda sempre à Igreja sua natureza de comunidade concreta, assembleia reunida: o sacramento da unidade. Por isso não podemos separar comunhão do corpo e do sangue de Cristo e a comunhão eclesial. Não há verdadeira comunhão eucarística sem comunhão eclesial. Não se pode compreender o mistério eucarístico desassociando o corpo de Cristo na Eucaristia do corpo sacramental de Cristo, que é a Igreja. O Congresso poderá ser um momento importante de catequese para a correta compreensão dessa relação indissociável.

Espero que o Congresso ajude todos nós – católicos brasileiros – a tomar consciência da importância da comunhão eclesial como condição de acesso à comunhão eucarística. Que o sonho/desejo de “pão em todas as mesas” seja a alma que crepita e autoriza a participar da Ceia do Senhor.

Para refletir: Consigo perceber a intima unidade entre Eucaristia e Igreja? Compreendo porque comer o corpo do Senhor e beber de seu cálice exige estar em comunhão com a Igreja? Compreendo a relação intima que existe entre o “Pão em todas as mesas” e o pão Eucarístico?

Textos Bíblicos: At 2, 42-47; 1Cor 10, 14-22; Jo 6, 22ss; Jo 13, 1ss; Lc 22,19-20

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório