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Pequenas Comunidades Missionárias: Um jeito novo de ser Igreja

A Quaresma é para nós um tempo de exercícios espirituais mais intensos. Jesus nos recomenda três exercícios: jejum, esmola e oração. A Igreja oferece outros instrumentos que ajudam a aprofundá-los sem substituí-los.

Em 2023, a CNBB promove a 60ª edição nacional da Campanha da Fraternidade, pondo em evidência o tema da fome. Fraternidade e fome: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16). Vejamos que a orientação de Jesus se dá no plural: dai-lhes vós, vocês, a comunidade. Isto desperta nossa atenção para as Pequenas Comunidades Eclesiais Missionárias. Várias experiências da Igreja, em seus dois mil anos de história, remontam às primeiras comunidades cristãs, que poderiam nos oferecer uma melhor forma para viver o tempo da Quaresma.

Este jeito de a Igreja ser exige contínuo discernimento da presença e atuação do Espírito Santo e inaugura novas formas de viver como comunidades cristãs. Assim, este tempo de conversão deve estimular por sermos uma Igreja verdadeiramente missionária, em saída, e sensível às necessidades de quem caminha ao nosso lado.

As Pequenas Comunidades criam laços e proximidade. Nesse novo formato se pode viver a fé de maneira mais próxima e se estimula uma coerência maior entre fé e vida, com todos se conhecendo e sabendo de suas dificuldades e desafios. São preciosos espaços para formação bíblica, litúrgica e pastoral. Oferecem uma estrutura eclesial mais simples que favorece o encontro e a vivência da fé.

A vida fraterna das Pequenas Comunidades – abertas, acolhedoras, misericordiosas, de intensa vida evangélica – constitui fundamento sólido para o testemunho da fé. As Pequenas Comunidades oferecem um ambiente humano de proximidade e confiança que favorece a partilha de experiências, a ajuda mútua e a inserção concreta nas mais variadas situações (CNBB, 109, p. 25; n.24-26).

Essas pequenas comunidades missionárias podem servir, neste tempo da Quaresma e da Campanha da Fraternidade, para congregar as pessoas de acordo com o critério de proximidade, alargando o campo de atuação da Igreja e propiciando uma evangelização mais perto de cada pessoa.

Em nossas paróquias são oferecidos os roteiros para ajudar as pequenas comunidades nas reflexões, que apresentam seis passos para bem celebrarmos o Mistério Pascal de Cristo. Eis um caminho seguro para a Páscoa, presente na Igreja desde a sua origem. Parabéns a todas as pessoas que já descobriram este tesouro e estão inseridas nas Pequenas Comunidades Eclesiais e Missionárias. Eis o melhor jeito de a Igreja ser neste tempo de grandes transformações.

Importante é não desistir nem desaminar, tendo presente que o que nos espera como Igreja que somos, peregrina nesta terra, é o encontro com a própria humanidade, para com ela, anunciar o Cristo ressuscitado. O desafio final nos é dado pelo Evangelho de Lucas, que nos instiga a continuar o caminho: “Não tenha medo, pequeno rebanho, porque o Pai de vocês tem prazer em dar-lhes o Reino” (Lc 12,32).

Dom José Mario Scalon Angonese – Bispo de Uruguaiana