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Pode Maria ser a Mãe de Deus?

No dia primeiro de janeiro a Igreja celebra a Maternidade divina de Maria. O dogma, remonta ao ano de 431, quando, em Éfeso, Maria foi proclamada Mãe de Deus.  Ela é genitora de Deus na carne. Ela não é mãe do Pai e nem do Espírito Santo, mas quando o Filho Eterno se faz gente, é no ventre de Maria que ele habita por nove meses. Nós conhecemos Deus Filho como Jesus, filho de Deus e de Maria.

No dia do nascimento de Jesus, a mãe recebe em seus braços o Deus feito carne. No ver, ouvir, tocar e abraçar esse bebê, com Maria, a humanidade tange o infinito, abraça a Deus. O Altíssimo se fez pequeno; o Onipotente quis ser necessitado; a Palavra se fez criança! No relato do nascimento, lemos que Maria enfaixou a criança. Deus quis precisar do ser humano, por isso, entregou-se aos cuidados da mãe como um menino frágil e indefeso. Deus, que é amor e acolhida, em Jesus, quer ser amado e acolhido.

Ao lado do berço está a Virgem de Nazaré. No século quinto o bispo Basílio de Seleucia escreveu um verso, imaginando Maria fixando o olhar naquele recém-nascido, quando ficava repleta de alegria e de temor, poderia ter dito consigo mesma: Como poderei chamar-te meu filho? Homem? Mas a tua concepção foi divina! Deus? Mas tu assumiste a carne humana! O que eu posso fazer por ti? Te alimentarei com leite? Ou te celebrarei como a um Deus? Cuidarei de ti como uma mãe? Ou te adorarei como uma serva? Te beijarei como meu filho? Ou a ti suplicarei como meu Deus? Te oferecerei leite ou incenso? [1]

Maria é a mãe que gera a vida, campo fértil sobre o qual cresce o fruto do Espírito. É a mãe protetora e amorosa. Seus cuidados dão calor ao Menino Jesus e o protegem da frieza deste mundo. A relação de Maria com Jesus remete à plenitude da relação entre a Criatura e o Criador. Estabelece, entretanto, uma nova forma de laços. A criatura deve cuidar do Deus-criança nos braços da Mãe de Nazaré.

Maria é Mãe do Filho de Deus, que se chama Jesus. Em sua função materna, cercando Jesus de cuidados humanos, Maria foi a educadora de Jesus. Ela educou seu filho através de sua vida pobre, de seu trabalho e de sua simplicidade, por seu amor de mãe e por sua proteção.

Maria não gerou Deus, como Trindade Santa, mas, através de sua fé e obediência, possibilitou que o Filho de Deus se encarnasse em seu seio. “A verdadeira maternidade de Maria garantiu, ao Filho de Deus, uma verdadeira história humana, uma verdadeira carne, a qual morrerá na Cruz e ressuscitará dos mortos. Maria O acompanhará até a Cruz (Jo 19,25), de onde sua maternidade se estenderá a todo discípulo de seu Filho” (Jo 19,26-27).[2]

A maternidade de Maria inclui a dimensão natural; ela foi Mãe de Jesus, que se encarnou em seu seio, mas se expande na maternidade espiritual de todos nós. “Desde o começo, Deus a viu Mãe, e ela recebeu dele todas as suas graças em vista de sua maternidade.

[1]  BASILIO DE SELEUCIA. Omelia sulla Theotokos n. 5. Patrologia Grega  85, 448AB. In: LARENTIN, René. Tutte le genti mi diranno beata. Due milleni di riflessioni cristiane, p. 89.

[2]  PAPA FRANCISCO. Lumen Fidei, n. 59.

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria e Presidente do Regional Sul 3