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Preparai os caminhos do Senhor

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! A Festa do Natal é também um tempo especial marcado pelo encontro, mas para isso precisamos nos dispor a ir ao encontro das pessoas. Na Festa do Natal, recordamos e celebramos um gesto de amor, a vinda de Jesus, o filho de Deus, entre nós, na simplicidade da gruta de Belém, tão bem representada no presépio, por iniciativa de São Francisco de Assis, há oitocentos anos.

A realidade do presépio acaba contagiando as crianças e também aqueles que já foram crianças um dia. Quem não se comove diante da fragilidade e do olhar de uma criança? Talvez por isso Deus, na sua infinita sabedoria, escolheu manifestar-se ao mundo de um modo tão frágil, para poder tocar os corações endurecidos pela indiferença, a violência e a carência do amor solidário, que é capaz de olhar para um horizonte muito mais amplo, que vai além dos próprios pés.

O que pode nos manter vigilantes a não ser a espera e o desejo de ver algo que julgamos importante para a nossa vida? Talvez na imaginação de uma criança não exista nada de mais bonito ou mais difícil, e, ao mesmo tempo, mais excitante e angustiante que esperar. Quantos pequeninos fazem, neste tempo, a pergunta aos seus pais e avós e, quem sabe, também às professoras nas escolas: quando é o Natal?

Nós, adultos, temos ainda a capacidade de alimentar o sonho de espera e de esperança das nossas crianças? Ou nos esvaziamos completamente do mistério e daquele “espírito” contagiante do Natal? Quem sabe deixamos morrer dentro de nós a capacidade de nos encantar, sonhar e se alegrar com a mensagem de Natal. Ou até julgamos que temos o direito de negar às crianças o direito de conhecerem a beleza e a força do amor, presente na mensagem do Natal. Nos damos por satisfeitos em presentear alguns brinquedos aos pequeninos, como costumamos fazer quase que rotineiramente, mas esquecemos de transmitir a mensagem de humildade, fé, amor, solidariedade e esperança que o Natal nos dá.

O espírito do Natal nos pede para olharmos para além do nosso círculo familiar e de amizade, para além dos nossos muros, para podermos ver Jesus, que nasceu na gruta de Belém, nas realidades que não se fazem presentes no cotidiano da nossa vida, mas que eu e você sabemos que existem e o espírito do Natal irá nos recordar.

Portanto, abra as portas do seu coração, abra os braços para um abraço. Vá ao encontro daqueles que precisam da sua presença, do seu carinho, do seu amor e do seu gesto de solidariedade. Para fazer isso, não precisa viajar milhares de quilômetros, basta apenas alguns passos. A oportunidade para fazer o bem, no espírito do Natal, pode estar dentro da tua casa, ou quem sabe na casa ao lado, ou estar logo na quadra seguinte ou no bairro vizinho.

Estimados irmãos e irmãs! Sem gestos concretos de amor e solidariedade, a nossa celebração de Natal pode ser apenas uma formalidade superficial. Vamos nos deixar envolver pela mensagem de amor do Natal, abrindo as portas do nosso coração para ver e acolher Jesus, que se faz presente também naqueles que vivem realidades menos favorecidas, mas nem por isso são menos amados por Deus.

+ Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul