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Renovar a Catequese

No último domingo de agosto, mês vocacional, recordamos a missão dos catequistas. São  mulheres e  homens que se sentem chamados a anunciar Jesus Cristo e formar discípulos missionários. A catequese é uma atividade tão antiga quanto a própria Igreja. Há textos  do  Novo  Testamento  que  nasceram  como  formas  de  catequese para  os  cristãos  primitivos.  Ao longo dos séculos, de diferentes formas e metodologias, crianças, jovens e adultos foram iniciados na fé cristã. A transmissão da fé depende sempre de um testemunho eloquente capaz de suscitar o desejo de alguém seguir a mesma estrada.

Os catequistas, portanto, merecem de toda comunidade cristã um agradecimento especial. Deles depende a continuidade da fé recebida e transmitida às novas gerações.  Trata-se de um serviço generoso e gratuito, de quem empenha tempo, energia e dedicação para aprofundar a alegria do Evangelho, com a finalidade de atrair os seus ouvintes para a Verdade que liberta e salva.

Neste ano de 2023, no Brasil, os catequistas têm um motivo especial para celebrar: quarenta anos da publicação do Documento da CNBB “Catequese Renovada” que é um marco referencial para a renovação da catequese no País. Baseado no Concílio Vaticano II, esse é considerado o mais importante documento catequético brasileiro.  Ele teve aprovação do episcopado na 21ª Assembleia Geral da CNBB, no Bairro de Itaici (Indaiatuba – Brasil) no ano de 1983.

O parágrafo 30 do documento permite identificar a linha geral do texto: “A renovação atual da catequese nasceu para responder aos desafios de nova situação  histórica. Essa exige  a  formação  de uma comunidade cristã missionária que anuncie, na sua autenticidade, o  Evangelho  e  o  torne  fermento  de  “comunhão  e  participação  na sociedade e de libertação integral do homem”.

O  Concílio Vaticano  II  impulsionou  a  renovação  da  catequese:  a  Igreja  de comunhão e participação, a liturgia renovada, o retorno à Bíblia. Hoje se percebem sinais de    nova  prática  catequética, herdeira da Catequese Renovada  e alargada pelo Documento de Aparecida de 2007, do Diretório Nacional da Catequese, da Caminhada da Igreja no Brasil e do Ano Catequético Nacional  de  2009.

Entre as alegrias e esperanças, podemos destacar: a metodologia catecumenal visando à Iniciação Cristã; a centralidade da Pessoa de Jesus Cristo para uma catequese discipular; a prioridade da Palavra de Deus na vida da Igreja; a participação na vida litúrgica da comunidade; a interação entre fé e vida, que promove a presença pública dos cristãos na sociedade como “sal da terra e luz do mundo”.

Por diferentes formas, os documentos, nos níveis internacional, latino-americano e nacional, possibilitaram uma consciência de renovação da catequese, na volta às fontes primitivas e na atenção aos sinais de nosso tempo. Não podemos perder essa história de quarenta anos; precisamos avançar diante dos novos contextos que emergem com desafios inéditos. A catequese é sempre um serviço em nome da Igreja, ninguém pode realizá-la de forma própria, sem comunhão com a Igreja, com seu Magistério Vivo e na fidelidade total à Palavra de Deus que fecunda nossa história. Renovar a catequese é uma necessidade para se manter fiel a Cristo ontem, hoje e sempre.

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria e Presidente do Regional Sul 3