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Respeito, cuidado e gratidão

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Com espírito de gratidão, somos convidados a celebrar neste domingo, 23 de julho, o III Dia Mundial dos Avós e das Pessoas Idosas. É uma justa homenagem àqueles que trazem no coração, na memória e nas marcas do tempo, uma história de vida muitas vezes marcada por muito trabalho, pouco conforto, sacrifício, exclusão e desamparo social. São os mestres que frequentaram por longos anos a escola da vida, e, ao chegar no seu limiar, podem ter a sensação de que são um peso para a família e a sociedade.

Quem, na sua infância, na adolescência ou quando jovem, teve a oportunidade de conviver com seus avós ou tios avós, sabe o quanto eles nos valorizavam, nos instruíam e se empenhavam para que pudéssemos ter oportunidades e nos preparar para o futuro, mesmo tendo presente que, a seu tempo, eles quase não tiveram oportunidades de fazer escolhas, porque as necessidades materiais da família lhes impuseram, muitas vezes, uma escolha profissional e de vida.

As mudanças sociais que aconteceram na nossa sociedade brasileira, nas últimas décadas, tiveram um reflexo na vida de milhões de pessoas. Muitas coisas melhoraram na questão da educação, da saúde, do trabalho, como fruto do desenvolvimento econômico-social. Mas também tivemos perdas, no sentido humano da convivência familiar e comunitária. O afastamento do local das nossas raízes fez com que muitos se afastassem também dos seus familiares, deixando no coração daqueles que ficaram um legado de saudades.

Humanamente, não importa o quanto distante estamos dos nossos queridos avós e de pessoas que estiveram fisicamente e afetivamente muito próximas de nós na nossa vida, o importante é valorizá-las, mantê-las sempre no coração, e tirar um tempo para visitá-las e ouvi-las. Hoje, temos pouco tempo para valorizar a vida, para compromissos comunitários, para cuidar da nossa vida de fé, da nossa família, da nossa saúde, para irmos ao encontro de quem espera da nossa parte uma visita.

Queremos aproveitar o tempo para viver, mas não podemos esquecer de dar um tempo para a geração que nos deu a vida, e que muito contribuiu para os avanços econômicos e sociais do nosso país. Os avanços sociais fizeram aumentar a expectativa de vida, mas a sociedade como um todo não se preparou para essa mudança. Esta realidade, da qual fazem parte os nossos avós, os nossos pais e tantas pessoas idosas, não pode ser nem esquecida nem ignorada. O esquecimento revela a falta de amor, e o ignorar, a falta de gratidão. Senhor, que aprendamos a valorizar, agradecer e amar os nossos avós e os idosos presentes na família e na sociedade.

+ Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul