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Sagrado Coração de Jesus

Aproxima-se a solenidade do Sagrado Coração de Jesus.  A Igreja celebra essa festa na sexta-feira da semana seguinte à solenidade de Corpus Christi. São João Eudes escreveu o primeiro ofício litúrgico em honra ao Sagrado Coração de Jesus e celebrou, pela primeira vez, a festa na França, em 20 de outubro de 1672. A popularização dessa devoção se deu também na França por meio de Santa Margarida Maria Alacoque, no século XVII.

Na espiritualidade, o coração tem múltiplos significados importantes. O coração não é apenas um órgão; é um símbolo. Fala de todo o homem interior. Fala da interioridade espiritual do homem. Já no Antigo Testamento, o coração é identificado com a interioridade de cada ser humano, aquilo que está oculto e somente acessível ao olhar de Deus.  Também é dito que, no coração, está a sede dos sentimentos, dos desejos e das decisões humanas. Chega a afirmar que Deus também tem coração. (1 Sm 13,14).          No Novo Testamento, o coração também identifica o que há de mais profundo no interior de cada ser.

Por isso, se diz que Jesus é manso e humilde de coração. E o próprio Cristo adverte: “Onde está o vosso tesouro, aí está o vosso coração.” (Lc 12,34). Mas é diante do coração de Jesus que todo cristão encontra inspiração para se tornar  mais humano e fraterno.  O Sagrado Coração de Jesus é revelador do Pai, por isso é o Caminho. Ele é o servo sofredor, o coração ferido e machucado pelo poder das trevas, mas é também o  libertador das miopias do mundo, o profeta da verdade que liberta.

“Eles olharão para aquele que foi traspassado.” Com essas palavras, o evangelista João descreve o olhar da testemunha crente para o lado trespassado do Salvador, um olhar que procura penetrar na interioridade do Crucificado. No coração daquele que está pregado no madeiro da vergonha, se realiza a doação mais perfeita da frase que ele mesmo anunciou: “Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos!” (Jo 15,13).  No Crucificado, está o coração amigo de Jesus que ama até o fim, e fim numa cruz. No golpe de lança do soldado no corpo de Jesus, todas as gerações de cristãos sempre aprenderam a ler o mistério do coração do homem crucificado, que foi e é o Filho de Deus.

No coração do Ressurrecto, se encontra, na manhã de Páscoa, a coroação de toda uma vida pautada pela verdade do Reino e entregue por amor. O coração pascal estende seu pulsar ao coração de todos os homens e mulheres que acolhem a vontade do Pai e seguem os caminhos de Jesus.  Ele é o vencedor da morte, o doador de vida, o vivificador. É coração universal que não exclui, em seu amor, a possibilidade de todos trilharem o seu caminho, de encontrarem sua verdade e de participarem de sua vida.

No coração de Jesus está a aliança. Nele, dois mundos se encontram: o de Deus e o da humanidade entram em comunhão; dois corações batem juntos, compassados, um divino e outro humano, mas ambos no mesmo movimento vital. Nele se aprende que, apesar da fadiga da fé e do peso da vida, que é possível amar e esperar em Deus.

Sobre crer e esperar a partir dessa devoção, afirmou o Papa Francisco: “O Sagrado Coração é o ícone da paixão: nos mostra a ternura visceral de Deus, sua paixão amorosa por nós e, ao mesmo tempo, sob o peso da Cruz e cercado de espinhos, nos mostra quanto sofrimento custou nossa salvação. Na ternura e na dor, esse coração revela, em suma, qual é a paixão de Deus: o homem.”

 Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria e Presidente do Regional Sul 3 da CNBB