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Seja bem-vindo 2023

No final de um ano se faz necessário elevar a Deus e ao próximo um hino de ação de graças pelas bênçãos recebidas e vividas em 2022. Recebemos um tempo cronológico: um ano de 365 dias, divido em 12 meses e dias marcados por 24 horas. Neste tempo vivemos, realizamos ações, fomos ajudados, etc. Foi o tempo cronológico recebido para convivermos com Deus e com tantas pessoas. Foi tempo de graça, de aprendizagem, de amadurecimento, de sofrimento, enfim, de viver tudo o que é humano.

O ano na Igreja Católica inicia com a celebração de Maria Mãe de Deus. A solenidade está situada dentro do Tempo do Natal acentuando a missão de Maria como Mãe de Jesus que é Deus. É o mais antigo título dado a Maria e se torna o fundamento de todos os outros títulos que Maria recebe ao longo da história. Maria é modelo de acolhida do menino Jesus permitindo que ele participasse da vida diária da humanidade. Ela nos ensine a acolher o Salvador para caminhar conosco durante o ano que se inicia.

Também o ano inicia com a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz, instituído por São Paulo VI em 1968. Celebramos o 56º Dia Mundial da Paz com o tema: Ninguém pode salvar-se sozinho. Juntos recomecemos a partir da covid-19 para traçar sendas de paz. A mensagem do Papa Francisco parte da vivência da pandemia da covid-19. Transcrevo parte da mensagem e recomendo para a lerem na íntegra.

“Certamente, tendo experimentado diretamente a fragilidade que caracteriza a realidade humana e a nossa existência pessoal, podemos dizer que a maior lição que Covid-19 nos deixa em herança é a consciência de que todos precisamos uns dos outros, que o nosso maior tesouro, ainda que o mais frágil, é a fraternidade humana, fundada na filiação divina comum, e que ninguém pode salvar-se sozinho. Por conseguinte, é urgente buscar e promover, juntos, os valores universais que traçam o caminho desta fraternidade humana.

E, de tal experiência, brotou mais forte a consciência que convida a todos, povos e nações, a colocar de novo no centro a palavra «juntos». Com efeito, é juntos, na fraternidade e solidariedade, que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos. De facto, as respostas mais eficazes à pandemia foram aquelas que viram grupos sociais, instituições públicas e privadas, organizações internacionais unidos para responder ao desafio, deixando de lado interesses particulares. Só a paz que nasce do amor fraterno e desinteressado nos pode ajudar a superar as crises pessoais, sociais e mundiais.

Enfim, o que se nos pede para fazer? Antes de mais nada, deixarmos mudar o coração pela emergência que estivemos a viver, ou seja, permitir que, através deste momento histórico, Deus transforme os nossos critérios habituais de interpretação do mundo e da realidade. Não podemos continuar a pensar apenas em salvaguardar o espaço dos nossos interesses pessoais ou nacionais, mas devemos repensar-nos à luz do bem comum, com um sentido comunitário, como um «nós» aberto à fraternidade universal. Não podemos ter em vista apenas a proteção de nós próprios, mas é hora de nos comprometermos todos em prol da cura da nossa sociedade e do nosso planeta, criando as bases para um mundo mais justo e pacífico, seriamente empenhado na busca dum bem que seja verdadeiramente comum.

Transmito a bênção oficial da Igreja para o início do ano. 1. “Que Deus todo-poderoso, fonte e origem de toda bênção, vos conceda a sua graça, derrame sobre vós as suas bênçãos e vos guarde são e salvos todos os dias deste ano. AMEM! 2. Que ele vos conserve íntegros na fé, pacientes na esperança e perseverantes até o fim na caridade. AMEM! 3. Que ele disponha em sua paz vossos atos e vossos dias, atenda sempre as vossas preces e vos conduza à vida eterna. AMÉM!”

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo