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“Vinde, Senhor, e salvai-nos…”

Assim pedimos a Deus no 3º Domingo do Advento. Nele e só nele encontraremos resposta para todos os nossos problemas, por maiores que sejam. Dessa esperança, motivo de segurança e alegria, nos falam de uma maneira especial as leituras da Missa de hoje.

O texto da 1a Leitura, do Livro de Isaías (Isaías 35, 1-6. 10), foi escrito numa época particularmente difícil para o povo de Israel. O Templo de Jerusalém tinha sido destruído pelos Babilônios, muitas pessoas tinham sido levadas prisioneiras, como escravas, os doentes e velhinhos iam morrendo gradualmente. O próprio monte, sobre o qual está Jerusalém, estava descampado, nada produzia. Apesar de tudo isso, Isaías convida à alegria e promete flores e proclama “Tende coragem, não temais… Ele próprio vem salvar-nos”. Perante as muitas e variadas dificuldades da vida, nunca devemos perder a esperança e a serenidade. A verdadeira fé diz-nos que nunca estamos sós. Ele, o onipotente, o Senhor de tudo, está conosco e nos ama com Amor infinito.

São Tiago, na 2a Leitura (Tiago 5,7-10) pede aos pobres para esperarem com paciência a vinda do Senhor. Afirma que a sua vinda está próxima. A todos pede trabalho à semelhança do agricultor que confia na terra, na chuva que em breve fará germinar as sementes.

O Evangelho (Mateus 11,2-11) mostra-nos já o Senhor que veio, mas que chega de tal forma que confunde os seguidores do próprio João Batista, que neste momento se encontra prisioneiro, ele que é o maior entre os filhos de mulher como afirma Jesus. Ele, que o havia apresentado como o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo, por todos quer dar a sua vida. Apesar dessas certezas, algo de estranho se ouvia falar. No Evangelho do Domingo passado, João Batista, o havia apresentado como alguém que esmagaria o mal, queimaria os maldosos no fogo, etc. E agora, João ouvia dizer que Ele comia com os pecadores. Pede, pois, que Ele explique aos seus discípulos, para os confirmar na fé, se haviam de esperar outro. E o Senhor manda que eles narrem a João o que viram: faz andar os paralíticos, dá vista aos cegos, ressuscita os mortos e anuncia a Boa Nova aos pobres – sinais que conforme as Escrituras eram próprios do verdadeiro Messias. Ele era mesmo esse tão esperado e largamente anunciado Salvador que os Profetas do Antigo Testamento haviam anunciado.

De fato, Deus, que se revela em Jesus Cristo, é muito diferente de nós: a todos ama, a todos quer salvar, a todos quer revelar o seu Amor, já que por todos nós nasceu e por nós vai morrer na Cruz. Ele é AMOR. Por isso busca de uma maneira especial os pecadores, motivo pelo qual come com eles e os procura.

Perante o Amor infinito que Jesus nos revela, não podemos ficar indiferentes. Amor com amor se paga. Dentro das nossas limitações somos chamados a corresponder ao amor de Deus, amando-o com todas as nossas forças, com todo o nosso coração e amando tudo quanto é dele: todos os homens, nossos irmãos, bem como respeitando toda a obra maravilhosa da criação.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen