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Vós sois todos irmãos e irmãs

 

Vós sois todos irmãos e irmãs. Se o diagnóstico da realidade reconhece muitas atitudes contrárias à vivência da fraternidade em todos os sentidos, o remédio será pequenas doses de amizade social. O objetivo que a campanha se deu: “Despertar para o valor e a beleza da fraternidade humana, promovendo e fortalecendo os vínculos da amizade social, para que em Jesus Cristo, a paz seja realidade entre todas as pessoas e povos” será o nosso desafio.

Dando continuidade à metodologia dos 60 anos de caminhada, na segunda parte do texto base, busca-se iluminação bíblica. Mateus 23,1-12 é o principal: “Vós sois todos irmãos”. Muitos outros textos ajudam a entender quanto a fraternidade está no coração da mensagem cristã. Se temos um único mestre: Jesus; um único Pai: o do céu; um único Guia: o Espírito Santo, não nos resta senão reconhecer que estamos ligados intimamente entre nós e com Deus. A comunhão da Trindade é nossa origem e fonte de amor/amizade.

Ao olhar a história sagrada, percebemos como o mal sempre resulta na quebra das relações fraternas. O fratricídio começa quando Caim não é capaz de se alegrar com a alegria do irmão. Sua expressão mais radical é o assassinato, mas sua expressão mais sutil é a indiferença. Ele extirpa o irmão do mundo, porque antes já o eliminara do próprio coração. Assim, no caso de José, vendido pelos irmãos, a diferença de trato do pai não é vista pelos irmãos como marca de sua identidade distinta, mas fraterna. Quando nossas diferenças são entendidas como ameaças, as relações humanas se rompem e a morte encontra espaço para existir entre nós. Não deixemos esse veneno entrar.

Se lermos atentamente o Evangelho, aparece com clareza que a fraternidade está no coração do Evangelho. No caso do filho pródigo, o pai reafirma a fraternidade incorrupta com o filho. É ela mesma a razão e o convite para que o filho mais velho também se reconcilie com o filho mais novo. A amizade social parece ser o caminho que o Espírito tem indicado à Igreja. Não é um caminho novo, mas o antigo e sempre novo, o das primeiras comunidades cristãs.

 

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório