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Vós sois todos irmãos e irmãs: A Fraternidade como fundamento da vida cristã

 

No Evangelho de Mateus (23,1-12), Jesus responde à conduta dos fariseus com a escolha da fraternidade. A Lei do Senhor não é desconhecida para os discípulos, a multidão, os fariseus e os escribas. No entanto, o horizonte a partir do qual é interpretada essa mesma Lei é o que diferencia um grupo do outro para Jesus. Enquanto para alguns a Lei é praticada apenas em perspectiva exterior, entre aqueles que seguem Jesus Ele mesmo é o horizonte a partir do qual a Lei deve ser compreendida. Ele é a encarnação do Verbo, a manifestação definitiva da Palavra de Deus ao mundo.

Jesus proclama: “Todos vós sois irmãos” (Mt 23,8). Ele eleva os laços gerados pela fé a um nível mais alto do que os laços de sangue. Ele não anula o quarto mandamento, mas eleva os laços humanos à fraternidade universal. Assim, fé e fraternidade se conectam irrevogavelmente. Ao longo de seu ministério, Jesus ensinou como fazer a vontade do Pai, associando-se aos menos prováveis, promovendo a união fraterna e alertando sobre o julgamento mútuo.

São João Paulo II, antecipando a amizade social, propôs à Igreja uma espiritualidade de comunhão. Ele enfatizou a importância de ter o olhar do coração voltado para o mistério da Trindade, reconhecendo o irmão de fé como parte do Corpo místico, e criando espaço para o outro, rejeitando as tentações egoístas que geram competição e suspeitas.

Bento XVI, em sua Mensagem para o 43° Dia Mundial das Comunicações Sociais, destacou o conceito de amizade e sua importância no desenvolvimento humano. Ele ressaltou o papel das novas redes digitais na promoção da solidariedade humana, paz, justiça e respeito pela vida e pelo bem da criação.

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”, enfatizou a vida comunitária e o compromisso com os outros no coração do Evangelho. Ele destacou a importância de confessar um Pai que ama infinitamente cada ser humano e que a redenção tem um sentido social. A evangelização procura colaborar com a ação libertadora do Espírito Santo, lembrando que no irmão está o prolongamento permanente da Encarnação para cada um de nós.

Assim, a fraternidade é o fundamento da vida cristã. Ela nos chama a reconhecer a presença de Cristo em cada irmão e a agir em conformidade com a vontade do Pai, promovendo a solidariedade, a justiça e a compaixão. A espiritualidade da comunhão nos convida a olhar para o outro com amor e a criar espaços para o crescimento e desenvolvimento mútuo, refletindo a imagem da Trindade e respondendo ao chamado à vida em comunidade e serviço mútuo.

Na busca pela renovação espiritual e prática, inspirada pelo Espírito Santo e manifestada no processo sinodal, a fraternidade representa um convite à Igreja para se abrir à ação transformadora de Deus e para se empenhar na construção de um mundo mais justo, fraterno e compassivo.

Que a Igreja no Brasil, iluminada pelo Espírito, caminhe com confiança e coragem, acenando os Ramos, rumo a uma autêntica renovação, pautada pela escuta, pela comunhão e pelo serviço aos mais necessitados.

 

Dom José Mário Scalon Angonese – Bispo Diocesano de Uruguaiana