“O retiro espiritual reforçou a dimensão interior da Assembleia”, afirma dom Carlos Romulo na 62ª AG

O segundo dia da 62ª Assembleia Geral (AG) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no Santuário Nacional de Aparecida, foi dedicado ao retiro espiritual. O tempo de recolhimento iniciou no primeiro dia, a quarta-feira, 15 de abril, e teve sequência nesta quinta-feira, dia 16. As reflexões foram conduzidas por dom Armando Bucciol, bispo emérito da Diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA) e atual diretor espiritual do Colégio Pio Brasileiro em Roma.
O bispo da Diocese de Montenegro e secretário do Regional Sul 3 da CNBB, dom Carlos Romulo Gonçalves e Silva, faz parte da delegação do episcopado gaúcho que está na Assembleia. Ele detalha as reflexões do pregador nos diversos momentos de partilha. Ainda na quarta-feira, dia 15, foi abordada a temática “No seguimento de Jesus: exigências e desafios”. A reflexão partiu do relato dos discípulos de Emaús, narrado no Evangelho de Lucas, mostrando como a presença do Ressuscitado aquece o coração e renova a esperança.
Seguir Jesus é acolher o chamado missionário recebido no batismo, vivendo com ardor e fidelidade. O encontro com Cristo exige mudança de coração, confiança e humildade. O Papa Francisco foi citado ao afirmar que todos são chamados à santidade no cotidiano. Dom Armando destacou que o verdadeiro seguimento de Jesus não se mede pela quantidade de renúncias, mas pela transparência em testemunhar o amor de Deus, vivendo a radicalidade evangélica na simplicidade, no serviço e na fraternidade.
A segunda partilha apontou o zelo pastoral para evangelizar como o Bom Pastor. O missionário do Evangelho deve manter os olhos fixos em Jesus, procurando os mesmos sentimentos que havia em Cristo. A Assembleia foi lembrada como espaço de discernimento, ouvindo o que o Espírito diz às Igrejas para continuar a missão confiada por Cristo.
Nesta quinta-feira, 16 de abril, a terceira reflexão trouxe a temática “A parresia evangélica: viver relações humanas livres e transparentes”. A parresia, palavra grega que significa franqueza e confiança, foi refletida como estilo de Jesus e como atitude necessária para evangelizadores que anunciam a Boa-Nova com ousadia e autenticidade. Já o quarto momento reconheceu a missão episcopal a partir da imagem de Jesus que lava os pés. Foi destacada a dimensão da comunhão e da espiritualidade comunitária, lembrando que a Igreja deve ser casa e escola da comunhão, superando divisões e vivendo a unidade no amor.
Dom Armando propôs o quinto tema do retiro: “Para uma liturgia fiel ao Evangelho”. A liturgia foi apresentada como epifania da Igreja, expressão da comunhão da Trindade e fonte que deve fecundar toda a vida cristã. A Eucaristia, sacramento dos sacramentos, foi lembrada como manifestação plena do mistério da Igreja.
No final da manhã aconteceu a Celebração da Reconciliação, seguido do momento em que os bispos, dois a dois, puderam se confessar. A conclusão do retiro, no final da tarde, se deu com uma procissão e a oração do Terço saindo do Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho de Almeida até o Santuário Nacional. Na Casa de Nossa Senhora Aparecida foi realizada a adoração adoração ao Santíssimo Sacramento e a Missa com Vésperas, presidida por dom Armando Bucciol.
Dom Carlos Romulo resume a experiência de recolhimento e oração do episcopado brasileiro. “O retiro espiritual reforçou a dimensão interior da Assembleia, lembrando que o ministério episcopal é antes de tudo um serviço de amor, marcado pela proximidade com o povo e pela fidelidade ao Evangelho”.
Assembleia Geral segue até o dia 24 de abril para votação das Diretrizes da Ação Evangelizadora
A CNBB realiza, até o dia 24 de abril, sua Assembleia Geral tendo como tema central a votação e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento em chave sinodal. A expectativa é que o episcopado brasileiro consolide, nesta Assembleia, um documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja no país nos próximos anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal vivido pela Igreja no mundo.
Com fotos de Fiama Tonhá | Comunicação da 62ª AG CNBB