Encontro Estadual da Pastoral Afro-Brasileira (PAB) do Regional Sul 3 da CNBB reflete sobre educação

O Encontro Estadual da Pastoral Afro-Brasileira (PAB) do Regional Sul 3 da CNBB, marcado para os dias 18 e 19 de abril de 2026, teve seu início com os trabalhos já no dia 17 com a chegada da equipe estadual da PAB, coordenada pelo seu referencial padre Wilfrido Mosquera, OSFS,  que juntamente com a coordenadora da Pastoral Afro em Caçapava do Sul, Maria Jose Sito, e as demais equipes locais organizaram todo o local do encontro. A cidade de Caçapava do Sul, região da Campanha, conhecida como capital gaúcha da geodiversidade – como Geoparque Mundial da UNESCO – reuniu lideranças, agentes de pastoral e representantes de comunidades negras quilombolas, e tornou-se, durante o encontro, espaço de fé, reflexão, formação e celebração da cultura afro-brasileira.

Com o tema “A educação como instrumento de libertação para uma sociedade e Igreja inclusivas”, o encontro teve como objetivo fortalecer a organização da PAB no Regional Sul 3, incentivando a união e a mobilização das comunidades negras em torno de ações evangelizadoras comprometidas com a equidade e a justiça social. A atividade contou com a presença de mais de 150 pessoas vindas das arqui/dioceses de Pelotas, Rio Grande, Porto Alegre, Novo Hamburgo, Santa Maria, Cachoeira e Santa Cruz do Sul.

A programação iniciou na manhã de sábado, dia 18 de abril, com acolhida, credenciamento e abertura oficial, seguida de uma mística marcada pela espiritualidade afro-brasileira. Na sequência, o padre Wilfrido Mosquera apresentou um panorama das ações recentes da PAB, desde  o encontro estadual em abril de 2025 em Pelotas, do Congresso de Entidades Negras Católicas (CONENC) em Belo Horizonte e do  Encontro da Pastoral Afro (EPA) em Luján, Argentina.

A formação foi um dos eixos centrais do encontro. Padre Jolimar Silva abordou a ação social da Pastoral Afro, destacando o compromisso da Igreja com as populações historicamente marginalizadas. Ao longo da tarde, temas fundamentais como legislação e relações étnico-raciais, com o professor e advogado Fábio dos Santos Gonçalves e a deputada estadual Laura Sito e a realidade atual da luta do povo negro, com a socióloga e deputada federal Reginete Bispo, provocaram reflexões profundas.

A saúde da população negra também esteve em pauta, com a contribuição dos médicos Marco Antônio Pontes de Jesús e Rosemari Werlang, evidenciando a necessidade de políticas públicas e práticas comunitárias que promovam o cuidado integral e a dignidade da vida.

Além dos momentos formativos, o encontro foi marcado por forte expressão cultural e celebração da ancestralidade. A noite cultural “Kizomba” reuniu apresentações de dança e música que valorizaram as raízes afro-brasileiras. O Grupo Clara Nunes e Alessandro Dorneles, com a dança de rua e outros músicos convidados animaram o encontro, proporcionando um ambiente de alegria, resistência e identidade, reafirmando a cultura como elemento essencial da evangelização e da luta do povo negro.

A Missa presidida pelo padre Wilfrido Mosquera e concelebrada pelos padres Jolimar Lemos da Silva e Alessandro Müller,  auxiliados pelo diácono Valdoir da Conceição, integrou elementos da tradição afro-brasileira à liturgia, fortalecendo a espiritualidade e o sentido de pertença dos participantes.

No domingo, a programação privilegiou rodas de conversa, nos quais os participantes refletiram sobre os temas abordados nas palestras e partilharam experiências de suas comunidades. Os relatos evidenciaram desafios, clamores e sonhos do povo negro, apontando caminhos e propostas concretas para fortalecer a atuação da Pastoral Afro nos diversos territórios. Foram apresentados projetos implementados que deram certo em comunidades urbanas e quilombolas.

O encontro foi encerrado com a mística de envio, reafirmando o compromisso dos participantes com a missão evangelizadora, a promoção da justiça social e o enfrentamento ao racismo. O Encontro Estadual da PAB Sul 3 da CNBB em Caçapava do Sul se consolidou como espaço de resistência, fé e construção coletiva, onde educação, espiritualidade e cultura caminham juntas na promoção de uma Igreja cada vez mais inclusiva e comprometida com a dignidade do povo negro.