Queridas Mães…

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! A vida é um dom de Deus, e ela nos oferece sempre novas oportunidades para nos encontrar, mas neste final de semana penso que muitos de nós gostaríamos de encontrar e dar um abraço e um beijo carinhoso naquela pessoa que nos trouxe à vida e marcou profundamente a nossa existência pessoal: nossa querida mãe.

O dia das mães não está no calendário para a gente ficar recordando seus erros e defeitos. Mas para expressarmos nossa gratidão para com aquela pessoa que nos acolheu, nos amou e nos defendeu quando ainda nem sabíamos o quanto este mundo é bonito e, ao mesmo tempo, violento, e pouco valoriza o sagrado dom da vida. Ela foi a primeira pessoa que valorizou a nossa vida, porque foi a primeira a saber que tínhamos sido concebidos.

Devemos sempre ter presente que a mulher, desde a história da criação, sempre foi valorizada por Deus, mas nem sempre foi respeitada na sua dignidade pelas culturas e instituições na história da humanidade. O próprio Deus percebeu que a sua obra não estava completa, até não criar a mulher. É ela quem tem a força de expressar o rosto materno de Deus, na maternidade, na ternura, na caridade, mas também no vigor.

Repetimos muitas vezes que Deus é Pai, mas quando queremos evocar a sua ternura, geralmente dizemos que “Deus é pai, mas tem um coração de mãe”, isto é, tem sensibilidade em relação às nossas alegrias, angústias e sofrimentos. Diante dele nós podemos abrir o coração, assim como fazíamos quando éramos criança, com a nossa mãe. Era ela quem geralmente procurávamos para expressar sentimentos e buscar, num abraço, o consolo e o remédio que enxugavam as lágrimas e curavam as nossas feridas. O tempo passou, mas seus braços, mesmo não tendo o vigor de outrora, continuam nos acolhendo num abraço com amor. Amor que traz consigo aquela sabedoria que só o tempo pode dar. Um amor que sabe curar as feridas do amor ferido, sem deixar perder a esperança de continuar acreditando na vida e no amanhã.

A sociedade da itinerância não é muito grata às mães, como não o é em relação à família em geral. Andando nas comunidades, quando encontro uma mãe em estado de abandono ou semiabandono ou na solidão, geralmente me dá um aperto no coração, e a pergunta que me vem em mente é: onde está o amor gratidão?

O descaso, a falta de amor ou afeto na vida de uma pessoa pode ter muitas consequências, principalmente na infância, mas a vida é para todos um aprendizado. Quem não foi amado quando criança, não significa que não pode aprender a amar e a valorizar a vida de seu pai ou de sua mãe.  Quando vemos mães abandonadas, é porque já perdemos a sensibilidade de amar quem primeiro nos amou, ou talvez perdemos a noção do que é o verdadeiro amor, o amor gratidão, o amor cristão, que é capaz de amar além das aparências e dos erros e acertos das pessoas. Mas amar, porque no amor está a essência da nossa fé de cristãos, lembrando que “Deus é amor”.

A você querida mãe, que muitas vezes chora escondido a dor do abandono daqueles que amamentou e carregou nos braços. A você querida mãe, que consumiu num trabalho árduo, o vigor da sua juventude para poder oferecer melhores condições de vida para seus filhos. A você querida mãe, que vive uma maternidade de amor constante, nas obras de caridade. A você querida mãe, que vive a maternidade como um dom de Deus, para os seus e para com a humanidade. Que Deus, fonte do amor e da vida, a abençoe e a proteja, hoje e sempre.

 

+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul