A força da união na vida da Comunidade de Fé!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo! O ponto de partida da vida cristã é o amor a Deus, a si mesmo e ao próximo. A medida do amor ao próximo é a mesma do amor que se tem para consigo mesmo. Terminamos o mês de maio, mês marcado pelas celebrações marianas, que nos lembram o carinho e o afeto maternal de Maria, a mãe de Jesus e nossa mãe na fé. Maria, a primeira seguidora de Jesus Cristo, nos recorda o nosso compromisso de batizados, que é seguir Jesus, como discípulos e missionários do Reino.

Mas o discípulo, para poder viver em comunhão com o Mestre, precisa colocar-se na escuta de Deus, e sentir-se parte do Povo de Deus. Sem vida de oração, que fortalece a comunhão entre si e com Deus, dificilmente os batizados conseguem permanecer inseridos numa comunidade cristã. Não podemos manter a nossa fé no Senhor Jesus, se não estamos abertos a ação santificadora do Espírito Santo, na Igreja e na comunidade. O compromisso de todo batizado é anunciar e testemunhar Jesus Cristo. Para anunciá-lo é preciso primeiro fazer um encontro com Ele. Do encontro com o Senhor Jesus nasce a conversão e a vivência comunitária da fé. Mas a fé dos que encontraram o Senhor não é indiferente; ela busca testemunhar a alegria de ter encontrado o Mestre, vivendo a ação missionária de forma acolhedora, também na vida da comunidade.

A comunidade é o ambiente vital para os cristãos; é nela que eles partilham a vida e encontram o apoio para perseverar na fé. Por isso, a comunidade deve ser preservada de qualquer divisão, que provém da competição pelo poder, da busca de privilégios e de sectarismos. A preocupação com a reconciliação é um dever de todos, e supõe imparcialidade, quando aparecem conflitos.

A comunidade cristã também precisa reconhecer que tudo o que ela é e possui é dom de Deus. Viver em comunidade, portanto, supõe que cada um confie plenamente no dom de Deus. Mas, ao mesmo tempo, requer uma educação para isso. E o ponto fundamental é a instrução no temor de Deus. Não se trata de ter medo de Deus, mas de reconhecer que Deus é o Senhor e doador da vida, e seu projeto é que todos repartam a vida entre todos. A educação cristã começa aqui, mostrando para as pessoas que elas não são autossuficientes e independentes, mas interdependentes, complementando-se mutuamente na partilha do que cada um é.

Se o caminho da vida é temer a Deus e amar a Deus e ao próximo, o caminho da morte é o contrário: começa com a ausência do temor de Deus. Sem esse temor, o homem se coloca no lugar de Deus e passa a julgar-se como centro e senhor da vida, dispondo de tudo e de todos, sem a menor consideração pela vida e liberdade de seus semelhantes. Quando o homem usurpa o lugar de Deus, cria automaticamente o projeto da escravidão e da morte.

À luz do Evangelho, a comunidade cristã deve alimentar um clima de fraternidade e de partilha. Deve estar sempre aberta para acolher aqueles que chegam e necessitam de ajuda, para serem inseridos na comunidade. Lembrando que para ser cristão, não basta ser bom: é preciso ser justo.

 

+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul