Alargar a tenda do coração para acolher os irmãos!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Na Assembleia Geral Ordinária da Conferência dos Bispos do Brasil, de 2026, foram aprovadas as nova Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, que indicam, e de certa forma dão orientações, sobre o caminho que iremos percorrer nos próximos seis anos. Elas trazem presente a missão da Igreja no Brasil, mas também expressam a comunhão do nosso episcopado brasileiro com as orientações do Sínodo dos Bispos e com o sucessor da sede de Pedro, em Roma, o Papa Leão XIV.

Na sua missão de anunciar o Reino de Deus, a Igreja não pode deixar de apresentar Jesus às pessoas, para que elas tenham a possibilidade de acolhe-lo no coração e percebam que são amadas pelo Pai, porque fazem parte do seu projeto de amor. Acolher Jesus como discípulos significa também assumir um compromisso com o anúncio do Evangelho.

A Igreja peregrina tem a missão de anunciar e atualizar, no tempo e na história, a mensagem do Evangelho, discernindo os passos da missão, a partir da escuta do Espírito Santo. As Diretrizes Gerais têm por objetivo: “Evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal, sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos, em comunidades de discípulos missionários, fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres, a caminho da plenitude do Reino de Deus” (Documentos da CNBB 114).

Para darmos um passo a mais na missão evangelizadora, às vezes, temos que fazer renúncias, ou sair da situação “do sempre foi assim”, para acolher novas orientações, que nos ajudam a fortalecer a nossa missão de discípulos do Senhor no mundo. O discípulo consegue fazer renúncias pela sua missão, quando é capaz de despojar-se de suas seguranças e preconceitos, para colocar-se à escuta de Deus, e assim discernir os sinais dos tempos, sem deixar de anunciar e testemunhar o Evangelho no mundo, mesmo em meio a tantas contradições, que muitas vezes desorientam aqueles que buscam conhecer Jesus.

O Papa Francisco, na exortação apostólica “Gaudete et Exsultate”, recorda que: “Se não queremos afundar em uma obscura mediocridade, não pretendamos uma vida cômoda, porque ‘quem quiser salvar sua vida a perderá’” (Mt 16,25). “Para viver o Evangelho, não podemos esperar que tudo à nossa volta seja favorável, porque, muitas vezes, as ambições de poder e os interesses mundanos jogam contra nós”.

Discípulo é aquele que entende que a força da sua missão não está só nas palavras, mas no testemunho de vida, que revela uma profunda comunhão com o Senhor Jesus, manifestada no amor-serviço junto aos irmãos e irmãs na comunidade.

 

+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul