O Reino de Deus é paz e alegria no Espírito Santo
A Visita Pastoral é o encontro do pastor com seu rebanho, uma ação apostólica devida pelo Bispo e expressão palpável do cuidado pastoral e da visibilidade da unidade na Igreja particular (Cân. 396-398). Na pessoa do Bispo, é o povo de Deus da Diocese que se faz presente junto à rede de comunidades, movimentos e grupos que compõem a paróquia. É também um momento forte de encontro, comunhão e animação missionária.
Prestes a cumprir dois anos de “aprendizado episcopal” junto aos irmãos padres, diáconos e lideranças leigas da Diocese de Santa Cruz, estou realizando a visita pastoral à Paróquia São Carlos, de Anta Gorda. Depois de visitar todas as comunidades da paróquia, tanto as que contam com numerosos membros como as que contam com poucas famílias, terei noção das dificuldades e dos sinais de esperança que as animam.
Tendo visitado a metade das comunidades, trago vivos no coração os testemunhos comoventes de dedicação das lideranças e de união fraterna dos fiéis das comunidades. Mal posso imaginar o que significa manter a fé, a esperança e a união em Cristo em uma comunidade que não pode contar com nenhuma criança entre os seus membros, e que vê os fiéis avançando em idade, crescendo em fragilidade e diminuindo em número.
Não consigo tirar de diante dos meus olhos os sinais de profunda comoção de pessoas que, durante os encontros e as celebrações, mostram os olhos marejados de lágrimas. O que as fazem brotar repetidas vezes? Certamente não é a bondade ou a eloquência do pastor, mas a graça de reconhecer no Bispo a presença da Igreja diocesana, a alegria de fazer parte de um povo que não esquece nem abandona esse “pequeno resto”.
Certamente são lágrimas abençoadas, que lembram a palavra de Jesus: “Felizes os que choram, porque serão consolados” (Mateus 5,4). Aqui Jesus se refere às pessoas que deploram as relações de dominação e opressão que levam milhões de pessoas a viver dobradas sob o peso de uma vida quase sem esperanças; às pessoas que não se conformam ou resignam com as coisas assim como estão, e clamam por outro mundo.
São lágrimas de alegria, que nos remetem àquilo que Paulo escreve aos cristãos de Roma: “O Reino de Deus não é comida nem bebida, e sim justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Carta aos Romanos 14,17). Ou seja: que ninguém seja entristecido por questões de idade, estudo, trabalho ou número de membros da sua comunidade, e que elas busquem juntas aquilo que traz paz, a consolação e edificação mútuas (14,20).
+ Dom Itacir Brassiani, MSF
Bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul