Catequistas: Ministros da Esperança
Há missões na Igreja que se realizam sob os holofotes e outras que florescem discretamente, como a semente lançada na terra. Entre estas, destaca-se a vocação dos catequistas. Em cada comunidade, eles são homens e mulheres que oferecem tempo, inteligência, afeto e fé para conduzir crianças, jovens e adultos ao encontro vivo e transformador com Jesus Cristo.
O Diretório para a Catequese recorda que o catequista é, antes de tudo, uma testemunha. Antes de ensinar conteúdos, ele transmite uma experiência; antes de comunicar conceitos, comunica uma vida transformada pelo Evangelho. Por isso, a catequese não consiste simplesmente em ensinar uma doutrina, mas em acompanhar pessoas num caminho de iniciação à vida cristã e de discipulado missionário.
Essa missão possui algo de profundamente místico. O catequista participa da própria pedagogia de Deus. Assim como o Senhor conduziu pacientemente o povo de Israel, assim como Jesus caminhou ao lado dos discípulos de Emaús, escutando, explicando as Escrituras e aquecendo seus corações, também o catequista caminha ao lado daqueles que lhe são confiados.
Muitas vezes ele não vê imediatamente os frutos de seu trabalho. Uma palavra partilhada, uma oração ensinada, um gesto de acolhida ou uma celebração preparada podem parecer pequenas coisas. Contudo, Deus sabe fazer germinar aquilo que é semeado com fé e transformar encontros simples em histórias de santidade. Quantos sacerdotes, religiosos, pais de família, missionários e cristãos comprometidos descobriram sua vocação porque um catequista que os acolheu, os escutou e acreditou na ação de Deus em suas vidas!
O Diretório afirma que a catequese é um verdadeiro ato de evangelização. Por isso, não podemos permitir que as dificuldades do nosso tempo enfraqueçam a esperança. As rápidas mudanças culturais, a diminuição da prática religiosa ou a dispersão provocada pelas novas tecnologias não anulam a força do Evangelho. O mesmo Espírito Santo que guiou a Igreja nascente continua agindo hoje nos corações.
Neste sentido, os catequistas são verdadeiros ministros da esperança. Quando acolhem uma criança, acompanham um jovem ou ajudam um adulto a redescobrir a fé, tornam-se colaboradores da graça de Deus na construção de um futuro novo. São artesãos pacientes que trabalham não com pedras ou madeira, mas com os sonhos, as perguntas e a vida das pessoas.
Este ano, um sinal particularmente belo dessa missão será a realização da II Romaria Nacional dos Catequistas, de 28 a 30 de agosto, no Santuário Nacional de Aparecida. Milhares de catequistas de todas as regiões do Brasil peregrinarão à Casa da Mãe para renovar sua vocação e sua esperança na missão. Reunidos em torno da Palavra de Deus, da celebração dos sacramentos e da intercessão da Virgem Aparecida, viverão uma profunda experiência de comunhão e de fé.
Como os discípulos reunidos ao redor de Maria no Cenáculo, os catequistas serão confirmados na missão de anunciar o Evangelho e acompanhar as novas gerações e todos aqueles que buscam a fé no encontro com Cristo. Essa romaria recorda que a catequese não é uma atividade isolada de algumas comunidades, mas uma grande corrente de discípulos missionários que, unidos à Igreja inteira, continuam transmitindo a fé de geração em geração.
Aos catequistas, a Igreja não oferece apenas reconhecimento, mas recorda uma certeza que sustenta toda missão: vocês não caminham sozinhos. O Ressuscitado continua ao lado de vocês, como caminhou com os discípulos de Emaús. Ele escuta o cansaço, ilumina as dúvidas, aquece novamente o coração e se deixa reconhecer no caminho. E enquanto houver catequistas apaixonados por Cristo, haverá corações descobrindo a alegria do Evangelho, novos discípulos aprendendo a caminhar na fé e comunidades renascendo na esperança.
+ Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria e presidente do Regional Sul 3 da CNBB