Jesus guia nossos passos nos caminhos da Paz

Na semana passada escrevi sobre a relação entre paz, justiça e desenvolvimento humano, pois não podemos proclamar a paz de forma abstrata. Hoje quero refletir sobre alguns caminhos concretos para a promoção da paz, indicados pelo Papa Leão XIV na encíclica Magnífica Humanidade (§§ 212-227). E começo lembrando o que Zacarias nos ensina no seu cântico: Jesus, o Sol da Justiça, veio para guiar nossos passos no caminho da paz (Lucas 1,79).

A primeira trilha é dar atenção às palavras, pois elas têm força, e alteram nosso estado de ânimo. “Desarmemos as palavras e contribuiremos para desarmar a terra”, pede o Papa Leão. A paz passa pelo nosso modo de olhar, ouvir e falar com os outros. Podemos e precisamos evitar o “paradigma da guerra”, a violência das palavras, imagens e gestos. Apoiemos quem precisa de conforto, denunciemos as violências e façamos ressoar a voz a quem não a tem.

Um segundo caminho é conjugar a paz com a justiça (Salmo 85,11). Isso significa abandonar a busca de uma paz apenas interior, subjetiva, psicológica, individualista. É a prática da justiça que abre as portas da paz. E isso é verdade em termos pessoais e em termos sociais: uma nação que não assegura a proteção e os direitos aos mais pobres e frágeis não provará a paz. Não existe paz quando os dissidentes são calados e os pobres são ignorados.

O terceiro caminho para promover a paz é assumir o olhar das vítimas. Há momentos em que, para sermos humanos, precisamos tomar posições claras e corajosas, abandonando a cômoda neutralidade e os princípios gerais e abstratos. Trata-se de “tocar na carne de quem sofre”, de assumir suas dores e esperanças, de avaliar tudo a partir das vítimas. Então veremos que as guerras, os conflitos, a desigualdade, a pobreza e a exclusão são inaceitáveis.

Outro caminho para uma paz duradoura é cultivar um saudável realismo, evitando tanto o idealismo como o cinismo. Não podemos construir uma realidade à medida das próprias convicções e ideologias, nem aderir a um realismo degradado, que confunde constatação com resignação. O realismo autêntico não renuncia a mudar o mundo e não reduz a política à moralidade. Ele engendra soluções viáveis para que a paz não seja apenas uma palavra.

O quinto caminho para a paz é a prática do diálogo e da negociação. O diálogo é o principal instrumento da convivência fraterna entre as pessoas e povos. Trata-se de assumir uma atitude que crie laços de fraternidade, feitos de escuta, de olhares sinceros, de tempo dado. Em termos políticos, significa passar da cultura do poder para a cultura da negociação, rejeitando as visões maniqueístas que dividem o mundo entre bons e maus.

 

+ Dom Itacir Brassiani, MSF
Bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul