Educar é acreditar que o futuro ainda pode ser diferente

Poucas missões exigem tanta esperança quanto educar. O agricultor lança a semente esperando a colheita; o educador, porém, semeia no terreno sagrado da liberdade humana. Ensina, acompanha, corrige, incentiva e muitas vezes não verá imediatamente os frutos de seu trabalho. Por isso, educar é sempre um ato de confiança na pessoa humana e de esperança no futuro.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil reconhecem a educação como um dos espaços fundamentais da presença cristã no mundo. Ao tratar da missão dos leigos, situam explicitamente a educação entre os ambientes nos quais os discípulos de Cristo são chamados a testemunhar o Evangelho. Onde uma pessoa é ajudada a desenvolver sua inteligência, liberdade, consciência e responsabilidade, está em jogo algo profundamente relacionado à dignidade humana.

Educar não é somente transmitir conteúdos. Uma máquina pode armazenar informações; hoje, a inteligência artificial consegue organizá-las em segundos. Mas nenhuma tecnologia substitui a presença humana que acolhe orienta e testemunha valores. Somente uma pessoa pode educar outra pessoa. Educar envolve encontro, paciência, confiança e aquela misteriosa capacidade de perceber no outro possibilidades que ele próprio ainda não consegue enxergar. O conhecimento ilumina a inteligência, mas é a relação humana que ajuda a formar a consciência e a amadurecer a liberdade.

Professores, catequistas, pais, mães e tantos outros educadores trabalham com uma realidade preciosa que não lhes pertence: a vida e a liberdade de outra pessoa. O bom educador não fabrica pessoas à sua imagem. Ajuda cada uma a descobrir quem é, desenvolver seus dons, aprender a pensar, conviver com as diferenças e assumir responsabilidade pelo mundo. Educar é acompanhar o crescimento de uma liberdade, sem renunciar ao dever de orientar, corrigir e testemunhar aquilo que é verdadeiro e bom.

Uma sociedade que não valoriza seus educadores compromete silenciosamente o próprio futuro. Valorizar significa remuneração digna e condições adequadas de trabalho, mas significa também respeito, reconhecimento e confiança. Não podemos exigir dos professores que respondam sozinhos a problemas que pertencem à família, ao Estado e à sociedade inteira. Quando a autoridade de quem educa é continuamente enfraquecida, não perde apenas o professor: perdem os estudantes, enfraquecem-se as famílias e empobrece toda a sociedade.

As novas gerações recebem uma quantidade extraordinária de informações, mas informação não significa necessariamente sabedoria. Podem estar permanentemente conectadas e, ao mesmo tempo, experimentar profunda solidão; possuir acesso a inúmeras opiniões e encontrar dificuldade para discernir a verdade. Nesse cenário, o educador torna-se cada vez menos mero transmissor de dados e cada vez mais companheiro na formação do discernimento. Afinal, não basta preparar as novas gerações para dominar tecnologias e exercer profissões; é necessário ajudá-las a descobrir o sentido da própria existência e a responsabilidade que possuem diante dos outros.

Precisamos voltar a dizer uma palavra muito simples: obrigado aos que educam. Obrigado a quem prepara uma aula quando ninguém vê; a quem percebe o estudante que está ficando para trás; a quem corrige sem humilhar; a quem exige porque acredita; a quem continua ensinando mesmo quando os resultados demoram.

Educar é trabalhar com aquilo que ainda não existe plenamente. É olhar uma criança ou um jovem e enxergar antecipadamente o adulto que poderá tornar-se. Por isso, entre todas as profissões, a educação guarda algo de profético: o educador contempla no presente um futuro que ainda está nascendo — e decide cuidar dele. Educar é, afinal, um modo concreto de afirmar que a história não está encerrada e que, com a graça de Deus e o compromisso humano, o futuro ainda pode ser diferente.

 

+ Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria e presidente do Regional Sul 3 da CNBB