32º Domingo do Tempo Comum Ciclo A

A liturgia deste 32º Domingo do Tempo Comum coloca-nos diante de um tema central e urgente da vida cristã: a vigilância. Não se trata de uma espera passiva ou ansiosa, mas de uma atitude ativa, amorosa e prudente, que prepara o coração para o encontro definitivo com o Senhor.

A 1ª Leitura (Sb 6,12-16) apresenta a Sabedoria como «resplandecente e sempre viçosa». Ela não se esconde; pelo contrário, «é facilmente contemplada por aqueles que a amam e é encontrada por aqueles que a procuram». Mais ainda: «ela mesma sai à procura dos que a merecem», aparece-lhes nos caminhos e vai ao seu encontro.

Esta Sabedoria não é mera inteligência humana. Na tradição bíblica e patrística, ela prefigura Cristo, a Sabedoria de Deus (cf. 1Cor 1,24; Cl 2,3). Santo Agostinho, comentando textos semelhantes, recorda que a verdadeira sabedoria começa no temor de Deus e se concretiza no amor que busca continuamente a face do Senhor. Quem ama a Sabedoria não se cansa de a procurar «desde a aurora»; encontra-a já à porta, porque ela se antecipa.

A mensagem é clara: a vida cristã não é um esforço solitário. Deus toma a iniciativa. Mas exige de nós a disposição interior de amar, desejar e procurar. A vigilância começa aqui: manter o coração desperto para reconhecer a presença de Deus que vem ao nosso encontro todos os dias.

São Paulo escreve aos tessalonicenses, na 2ª Leitura (1Ts 4,13-18) para consolar a comunidade perante a morte dos irmãos. Não quer que fiquem tristes «como os outros, que não têm esperança». A fé na ressurreição de Jesus é o fundamento: «Se Jesus morreu e ressuscitou […], de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte».

A descrição da parusia é solene: o Senhor descerá do céu, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, e os vivos serão arrebatados para o encontro com Ele. «E assim estaremos sempre com o Senhor». Por isso, Paulo conclui: «Exortai-vos, pois, uns aos outros com essas palavras».

A vigilância cristã é, portanto, esperançosa. Não teme o fim, porque o fim é o encontro. A morte não é o último horizonte. Esta certeza transforma o modo como vivemos o presente e como acompanhamos os que partiram. Consola-nos e, ao mesmo tempo, nos impulsiona a viver de modo digno daquele encontro.

O Evangelho (Mt 25,1-13) é o coração da liturgia deste domingo. Jesus compara o Reino dos Céus a dez virgens que saem ao encontro do esposo com suas lâmpadas. Cinco são prudentes e levam óleo de reserva; cinco são insensatas e não levam. O esposo demora. Todas dormem. À meia-noite o grito ressoa: «O noivo está chegando! Ide ao seu encontro!». As prudentes entram no banquete; as insensatas, sem óleo, ficam de fora. A porta se fecha. A resposta do esposo é dura: «Em verdade vos digo: não vos conheço».

A parábola não é um julgamento sobre o sono (todas dormiram), mas sobre a preparação. O óleo simboliza aquilo que não se pode improvisar nem emprestar: a vida de graça, a caridade operosa, a fidelidade perseverante, a intimidade com o Senhor cultivada no dia a dia. São João Crisóstomo observa que o óleo representa as boas obras e a caridade; sem elas, a lâmpada da fé se apaga. Santo Agostinho insiste que o óleo é a caridade: «Ninguém pode dar a outro a própria caridade». Cada um deve cuidar do próprio óleo.

A demora do esposo é realista. O tempo da Igreja é tempo de espera. Muitos se cansam, adormecem na mediocridade, deixam a lâmpada se apagar. A parábola é um apelo urgente à prudência: viver cada dia como se fosse o último, mas com a serenidade de quem sabe que o Senhor vem.

A porta que se fecha recorda a seriedade do tempo. A oportunidade de preparar-se não é infinita. «Não sabeis o dia nem a hora». Por isso, a vigilância é permanente.

A vigilância se traduz em gestos concretos: oração diária (mesmo breve), frequência aos sacramentos (especialmente a Eucaristia e a Reconciliação), caridade efetiva, exame de consciência, leitura da Palavra, cuidado com o próximo. O óleo se acumula no silêncio, na fidelidade pequena e na perseverança.

Neste tempo que se aproxima do final do Ano Litúrgico, a Igreja nos convida a olhar para o horizonte escatológico sem medo, mas com responsabilidade. O Senhor vem. Ele se antecipa. Ele nos procura. Cabe a nós manter a lâmpada acesa e o coração desperto.

Que a Virgem Maria, a Virgem prudente por excelência, que soube guardar no coração e perseverar até a cruz e além, nos ensine a vigilância amorosa. E que, quando o Esposo chegar, possamos ouvir: «Entrai no banquete nupcial».

Vigiai, pois. O Senhor está próximo.

 

+ Dom Antônio Carlos Rossi Keller
Bispo da Diocese de Frederico Westphalen