Artigos, Bispos › 05/11/2020

A minha alma tem sede de Vós, meu Deus

Todos temos sede de Deus porque todos temos sede de felicidade. Fomos criados por um Pai que nos ama com Amor infinito. Por isso, todos fomos criados para sermos felizes no tempo de nossa vida aqui na terra e depois por toda a eternidade. À luz da fé, sabemos que essa fonte de felicidade, que todos tanto desejamos, está em Deus, é o próprio Deus. Afinal a sede de felicidade é mesmo, em última análise, sede de Deus. Esta certeza nos é dada pela fé, verdade esta que dá verdadeiramente sentido à nossa vida. Quem faz esta descoberta revela ser portador de grande sabedoria. E dessa Sabedoria nos fala a Primeira Leitura deste Domingo (Sabedoria 6,12-16): “Quem a busca desde a aurora não se fatigará”. Assim se louva essa Sabedoria, pela qual vale a pena deixar tudo para possuí-la.

Os santos, só são santos, visto terem feito esta descoberta maravilhosa, pelo qual muitos, como São Francisco de Assis, tudo deixaram. Santo Agostinho deixou mesmo escrito: “Que tarde te encontrei, meu Deus. Meu coração andava inquieto e só em ti encontrou descanso”. Graças às orações e lágrimas de sua mãe, Santa Monica, converteu-se aos 32 anos de idade.

É à luz desta Sabedoria que sabemos o real valor das coisas. Mais sabemos que após esta vida terrena, sempre rápida e passageira, nos espera uma vida eterna, como nos avisa São Paulo na Segunda Leitura da Missa de hoje (1º Tessalonicenses 4,13-18). É ainda à luz da mesma Sabedoria, que sabemos que devemos estar sempre preparados para esse encontro definitivo com o divino Esposo, com o Senhor, verdadeira encanto e consolo das nossas vidas. Daí o alerta que o mesmo Senhor Jesus, nos lança com a parábola do Evangelho (Mateus 25,1-13), que tem por base um costume vivido pelos israelitas nas festas de núpcias. Pela dita parábola sabemos que Ele virá no momento em que menos contarmos. O Senhor oculta-nos esse momento do qual dependerá a eternidade e o faz por nosso amor, para andarmos sempre preparados e tudo encararmos com naturalidade.

Estaremos preparados para a partida eterna, na medida em que mantivermos acesa a lâmpada da fé. Para que tal aconteça é necessária vida de oração, que, tal como o azeite, faz sempre falta para alimentar a lâmpada.  Tal só será possível se depois de momentos vividos a sós com o Senhor todas as restantes atividades de trabalho, estudo ou descanso as fizermos sob o “olhar” do mesmo Senhor, isto é pelo seu amor, com verdadeira unidade de vida,  tudo transformando em oração e com o recurso assíduo aos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Assim poderemos cumprir, com a Graça de Deus, integralmente a vontade do mesmo Senhor, e assim estar sempre preparados para o grande e definitivo Encontro com o Senhor. Sabemos que os mandamentos do Senhor, verdadeiros caminhos de felicidade terrena e eterna se resumem em amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos.

Assim, bem iluminados pela luz da fé estaremos sempre prontos a receber com entusiasmo, a abraçarmo-nos com o Esposo eterno, o único capaz de saciar os anseios mais profundos de felicidade que todos possuímos e para os quais todos também fomos criados.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen