Artigos, Bispos › 18/09/2020

A Palavra de Deus na vida dos discípulos

O Senhor, através da sua Palavra nos convida a refletirmos profundamente sobre a nossa adesão a Ele, sobre o nosso seguimento como discípulos. Escolher Jesus como Senhor e Mestre, para amá-lo plenamente, pode mudar os nossos esquemas: reorganizar as nossas relações familiares e sociais, a nossa vida, e até os nossos sofrimentos e cansaços terão outro sentido, quando nos colocamos na presença do Senhor e deixamos que a sua Palavra fale ao nosso coração de discípulos e discípulas, orientando os nossos passos e as ações da nossa vida.

Colocando o Senhor no centro do nosso coração, dando prioridade às coisas de Deus, à sua Palavra e ao Reino de Deus, todo o restante assume um sentido novo, onde a dignidade da vida se faz presente. Quando a nossa existência, as nossas relações fraternas, o nosso viver e sofrer têm Jesus no centro, quando assumimos o Evangelho como critério no agir e no pensar, tudo se torna “meio para caminhar seguindo os passos do Senhor”.

Seguir Jesus é fazer com que a sua vontade dê um sentido à nossa existência, defina o nosso modo de viver, de amar, de cuidar da vida e da natureza. A realização plena da nossa humanidade está em Jesus, mediador entre Deus e os homens, e se cumpre através da escuta atenta da sua Palavra. Através dela, Deus fala com amor e ternura ao nosso coração, conforta a nossa vida e dá um sentido permanente ao nosso existir.

A missão que devemos assumir como discípulos do Senhor não é a construção de uma torre, mas a construção da nossa fé. Sem essa disponibilidade interior, de querer crescer na fé, nos tornamos escravos da indiferença e da apatia, ao invés de abraçarmos a missão de discípulos, que acompanham o Mestre Jesus e se deixam acompanhar por ele, através da sua Palavra.

O homem longe de Deus consegue projetar e construir a si mesmo somente na força das peculiaridades humanas, mas não colhe a amplidão do dom de Deus que o convida a se aproximar do Senhor, a conhecê-lo, para deixar-se formar na sua sabedoria. O homem, deixado a si mesmo, está distante da sua verdadeira vocação, mas o Pai intervém de modo admirável, guardando a liberdade da sua criatura e doando a cada um de nós a sabedoria, que ensina e salva, prelúdio dos dons do Espírito Santo.

O homem mortal, distante de Deus, não consegue compreender a sua vocação inscrita no projeto divino; se comporta como um errante, na incerteza e sem destino definido. Seguidamente as suas preocupações tomam todo o espaço do seu coração, não deixando espaço para Deus na sua vida e no seu coração.

Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul e Presidente do Regional Sul 3 da CNBB