Artigos, Bispos › 27/09/2019

A Palavra que liberta!

Celebramos o mês da Bíblia e por vivermos empenhados com tantos compromissos no dia a dia, talvez não tenhamos dado à Palavra de Deus o seu devido espaço e a importância, para que ela pudesse tocar o nosso coração e reger as nossas ações pessoais, familiares e comunitárias.

Podemos cair na tentação de acharmos que é suficiente termos o livro da Sagrada Escritura, ou apenas ler a Palavra de Deus, como uma obra onde estão descritos os acontecimentos e os fatos que fizeram a história de um povo, num passado distante. O povo da Antiga Aliança, soube em cada momento da sua caminhada, perceber a mão de Deus que o conduzia com amor, ternura e vigor. Muitas vezes, na sua história, aquele povo iludido por falsos profetas, achou mais fácil percorrer um caminho que acabou levando-o para longe das leis, que o Senhor lhe tinha dado. A falsa liberdade, conseguida às custas da infidelidade a Deus, trouxeram ao povo: fragilidade, dor e morte. Com o coração ferido e a vida ameaçada na sua dignidade, muitas vezes precisaram reconhecer o seu erro, sua fragilidade, chorar pela sua infidelidade e pedir perdão ao Senhor para retomar o caminho da vida.

Queridos irmãos e irmãs em Cristo, não devemos ser cristãos batizados indiferentes ou acomodados, imunes à Palavra de Deus, que nos fala do amor do Pai criador, do sacrifício do Filho redentor e do Espírito Santo, santificador. A Palavra de Deus precisa ser encarnada na nossa vida, no hoje da nossa existência humana, muitas vezes fragilizada e ferida. Ela não nos fala só do passado, ela nos acompanha no presente e orienta-nos para o futuro. Não nos deixemos abater pelo desânimo e pelas incertezas que rondam o nosso coração e a nossa vida. Olhemos antes para a glória dos filhos e filhas de Deus, com a confiança de que nem nas provações Ele abandona o seu povo, aqueles que ele ama.

Portanto, deixe a força da Palavra de Deus, tocar o seu coração, alimentar a sua fé, a esperança, os seus gestos de caridade e a sua missão de discípulo e discípula do Senhor Jesus, na família, no mundo do trabalho, na sociedade e na comunidade de fé. Se temos plena convicção de fé, de que Deus está “por nós”, “Quem poderá nos separar do amor de Cristo”? (Rm 8,35).