Artigos, Bispos › 04/09/2020

A Pandemia pode nos ajudar

A crise planetária do Coronavirus mostrou ao mundo que tudo está interligado entre si e que o planeta Terra é uma grande comunidade. Ninguém pode viver sozinho e isolado dos outros seres humanos. Existe uma unidade de Deus e da humanidade criada por Ele, uma conexão da universalidade e da fraternidade.

A crise desencadeada pela pandemia é uma oportunidade para se tomar consciência dos limites de nossa vida e aprofundar nossa relação pessoal e comunitária com Deus. A pandemia pode se tornar um tempo de graça na qual buscamos a proximidade com Deus e sua proteção acolhedora, pois o ser humano é frágil e só Deus é eterno.

Muitos se perguntam: Como vencer o medo e o egoísmo de tantas comunidades regionais e nacionais? Em muitos outros cresceu o sonho de uma humanidade solidária que se coloque à serviço da proteção, da qualidade de vida e da saúde de todos, especialmente, dos mais fragilizados. Outros, infelizmente, se enclausuraram em seu conforto e fecharam os olhos, ouvidos e portas para os gritos dos mais desprotegidos. Felizmente vários países e grupos sociais, despertaram para a solidariedade, para maior cuidado com a saúde coletiva, com o cuidado da natureza, a limpeza pessoal e a higiene pública! O bem comum foi priorizado.

Um ditado popular nos diz: “Não há males que não venham para o bem!” A pandemia pode nos ter ajudado a valorizar as relações com os familiares, muitas vezes descuidadas, devido à obsessão pela produtividade, ativismo exagerado e consumismo. Fomos ajudados a redescobrir a importância dos pequenos gestos de atenção e de amor para com os outros. Talvez tenhamos dado agora mais valor ao tempo para orar, refletir sobre o essencial da vida, escutar e dedicar-nos aos outros! Quantos de nós recuperamos a capacidade da escuta; redescobrimos a força e a beleza do diálogo;a partilha das nossas experiências e as alegrias nas doações aos necessitados. Reaprendemos a cuidar das nossas casas, jardins e hortas.

Todos somos convidados a transformar estes dias difíceis para melhorar a qualidade de nossas relações na família, nas lojas, escolas, escritórios, no trânsito e em toda a sociedade. “A dor amada, aceita, superada e enfrentada é o caminho mais seguro para o ser humano atingir a felicidade” (Chiara Lubich).

Dom Hélio Adelar Rubert – Arcebispo de Santa Maria