Artigos, Bispos › 11/02/2020

A vida e a morte, o bem e o mal

Chamaram-me atenção as palavras do Eclesiástico: “Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir” (15, 18). Em que sentido? O que isto significa?

Significa que tudo na vida depende das nossas escolhas. Queiramos ou não, nos deparamos com decisões a tomar constantemente e que acabam conduzindo para o bem ou para o mal, para a vida ou para a morte.

Muitas vezes nos encontramos nas encruzilhadas da vida precisando decidir: vamos para a direita ou para esquerda. Melhor que se encontrar num beco sem saída. Nossas opções quanto mais livres e sensatas mais edificam e enriquecem. Nossa liberdade é um tanto relativa. Somos livres para escolher, mas cientes que toda opção tem consequências que enveredam na vida ou na morte, no bem ou no mal.

Deus nos criou livres com inteligência, capacidade de discernimento, com força de vontade, consciência do que é mais ou menos conveniente ou inconveniente. Ele não condena e nem castiga ninguém. Nós é que nos condenamos se nos deixamos seduzir pelo mundo com suas paixões desordenadas, pela concupiscência e ganância que geram injustiça, violência e muitos outros males.

Lembro sempre aos jovens, mas também aos pais na missão de educadores: não adianta proibir, mas nem deixar à vontade demais. Importante mostrar aos jovens que, toda escolha, por mais simples que seja, tem consequências. Somos o resultado de nossas escolhas.

Se nossas escolhas forem boas e sensatas seremos pessoas boas, realizadas, cheias de vida e de paz. Se forem erradas, porque não segundo o projeto de Deus, poderemos até fazer muitas coisas, ganhar muito dinheiro, conquistar cargos importantes, mas não teremos realização verdadeira. Se não se educa para a responsabilidade os frutos poderão ser muito amargos e intragáveis.

Jesus no Evangelho do próximo final de semana deixa claro que não veio abolir a lei, mas levá-la a cumprimento, deixando claro que as leis por si não são más, e sim sinais que indicam o caminho. Quando defendem princípios e valores humanos são providenciais. Por isso, não só não matar, mas compromisso radical com toda forma de vida. Com relação a vida afetiva: não somente não ao divórcio, mas até mesmo o jeito de olhar o outro, a outra.

A linguagem simbólica de cortar a mão, o pé; o arrancar o olho se este te leva a pecar, quer dizer que precisamos aprender a eliminar o mal pela raiz. Se estiveres para fazer a tua oferta e lembrares que alguém tem algo contra ti, vai antes reconciliar-te com teu irmão e depois farás a tua oferta. Portanto, perdoar e pedir perdão…

Jesus nos mostra o caminho da vida e do bem. Nós humanos teimamos em percorrer o caminho mais fácil e com isso podemos acabar no mal, no pecado, na morte! Escolhamos bem o bem e tudo terminará bem!

Para refletir:

– Me considero uma pessoa livre? Porque?

– Consigo perceber que toda escolha tem consequências e costumo considerar isso?

– Costumo refletir minhas escolhas? E o que levo em consideração na hora de decidir?

Textos bíblicos: Ecl 15, 16-21; Mt 5, 17-37; Sl 118(119).

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório