A vida espiritual alimenta a fé do peregrino!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! O mundo é o mesmo de antes da encarnação, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Mas os discípulos de Jesus Cristo são convidados a contemplá-lo com os olhos do coração, a partir da experiência da fé. Através da fé em Jesus Cristo, as alegrias e as dores, as desilusões e as esperanças adquirem um novo significado. A luz do ressuscitado abre aos homens e mulheres de fé novos horizontes, que lhes oferecem a possibilidade de encontrar um novo sentido em tudo aquilo que acontece ao longo da vida, mesmo convivendo num mundo assolado pelas fragilidades do ser humano.

A Igreja tem como missão anunciar o Evangelho ao mundo. Podemos dizer que é uma missão sublime, mas ao mesmo tempo árdua, na qual os discípulos devem empenhar as próprias forças, sem desprezar a graça de Deus. “Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo. Ninguém porá a mão em ti para fazer-te mal” (At 18,9-10). A promessa de Jesus ressuscitado feita aos discípulos, que iniciam o anúncio e a missão, junto às primeiras comunidades, não pode ser esquecida pela comunidade cristã: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20).

Não podemos esquecer que a Igreja, mesmo sendo uma comunidade ferida e frágil, é, ao mesmo tempo, portadora de uma mensagem de esperança para todos os seus filhos. Todos os fiéis podem encontrar na Igreja um espaço de crescimento espiritual, porque esta não é constituída por uma elite de puros, mas uma comunidade de pecadores, que acolhem e caminham para a santidade, na casa do Pai.

Não queremos negar a fragilidade da Igreja, mas queremos também fazer conhecer a sua dignidade. E a primeira e fundamental dignidade da Igreja é ser comunidade convocada por Jesus Cristo. A Igreja é, portanto, uma comunidade frágil, mas que foi beneficiada por Jesus, através da sua revelação, no seu corpo glorioso da ressurreição.

A Igreja é, portanto, uma realidade histórica e teológica, comunidade de santos e pecadores, investida de uma dignidade altíssima, sujeita às misérias dos homens e por isso, testemunha da misericórdia do Pai, da qual é a primeira beneficiária, e, portanto, pode e deve anunciar ao mundo a Boa Nova.

Vivemos num contexto histórico em que o Cristo é rejeitado, não só por aqueles que não o conhecem, mas principalmente por aqueles que não tem fé, que a abandonaram ou a perderam por não cultivarem uma vida espiritual mais intensa. O cristão crê em Deus, através de Jesus Cristo, que nos revelou a face do Pai. Jesus Cristo não é apenas o objeto da fé, mas é aquele que em nós começa e completa a obra da fé. A fé vivida abre o coração à Graça de Deus, para vivermos uma vida nova, transformada por Deus.

 

+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul