Artigos, Bispos › 04/03/2022

A vida nova é fruto da conversão!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! A Quaresma é um tempo favorável à mudança de vida, porque nos indica o caminho para podermos renascer segundo “a imagem do Senhor ressuscitado”. É um caminho concreto e humilde, que pode ser praticado por todos nós, cada um segundo as necessidades da sua própria vida. A Igreja, como mãe solícita, que sofre com a dor dos seus filhos e filhas, causada pelo pecado, indica o caminho da esmola, da oração e do jejum, como meios de purificação, que preparam o nosso coração para acolher a graça redentora do Senhor em nossa vida. É um caminho penitencial, porque nos pede para reduzir a pó o homem velho que existe em nós, o homem voltado sobre si mesmo e sobre o próprio egoísmo.

Mas, como toda prática penitencial cristã, não tem por finalidade reduzir o homem ao pó, nem mesmo levá-lo a uma auto-realização que deixa vazio e insatisfeito o seu coração. É um caminho que abre em nós o espaço para a ação do Espírito do Senhor, de modo que a centelha da vida divina, que foi acesa em nós no dia do nosso batismo, possa transformar em fogo do Espírito as cinzas que receberemos em nossa cabeça, e forjar em nós uma nova criatura.

A Igreja Católica no Brasil, através da Campanha da Fraternidade deste ano, que tem como tema: Fraternidade e Educação, e o lema: “Fala com sabedoria, ensina com amor”, extraído do livro dos Provérbios (cf. Pr 31,26), quer ajudar seus filhos e filhas a percorrerem um caminho de renovação espiritual, tendo presente a realidade da nossa sociedade brasileira, marcada por profundas feridas e cicatrizes sociais, que poderão ser curadas com políticas públicas que olhem a educação pública como “um meio eficaz” para formar as novas gerações, tendo em vista o desenvolvimento, humano e social, mas também o bem comum e o desenvolvimento do nosso país. Historicamente, nenhum país do mundo mudou sua realidade social e econômica, sem passar por um processo de educação continuado, que leva em conta as pessoas e a nação, não apenas a ideologia política que está no poder. Educação é também uma responsabilidade da sociedade, que deve cobrar dos governantes Políticas Públicas que valorizem os profissionais da educação, que conscientizem os pais sobre a importância da educação para a vida e para o futuro dos seus filhos. Um pacto para melhorar a educação passa pela corresponsabilidade de todas as partes envolvidas. Sem um pacto educacional-social continuado, que parta de um olhar sobre a realidade da educação em nosso país, poderemos até sonhar, mas não construiremos um país desenvolvido, mais justo e fraterno, que ofereça dignidade de vida para todos.

O homem novo, que renasce de uma caminhada quaresmal, é nova criatura reconciliada consigo mesma, com Deus, com os irmãos, com a natureza da Casa Comum, e seus dias são marcados pela justiça, a fraternidade e o amor. Este é o dom que o tempo da Quaresma quer reavivar em nós, para chegarmos à noite da Páscoa prontos para “recebermos a coroa da vida nova em Cristo ressuscitado, ao invés das cinzas” (Is 61,3).

+ Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul