Artigos, Bispos › 12/09/2019

A Voz do Pastor

Estimados Diocesanos!

Pela graça de Deus, estou iniciando meu ministério, como Bispo e Pastor, junto a este povo de Deus da Diocese de Caxias do Sul.

Primeiramente quero agradecer pela calorosa acolhida por parte de toda a comunidade e manifestar a minha gratidão a todos e, de modo especial, agradecer também aos nossos antepassados que aqui lançaram, com muito trabalho, suor e lágrimas, as sementes do progresso. Sabemos que os que nos antecederam, para cultivar a vida de fé no Senhor Jesus que traziam no coração e a partir de sua realidade familiar, reuniam-se em comunidades para celebrar a sua fé e a sua vida, sob a proteção e o olhar materno da Virgem Maria nossa “Senhora de Caravaggio” e dos santos padroeiros.

Esta Igreja Diocesana, com seus oitenta e cinco anos de caminhada, traz as marcas da fé dos pioneiros e das gerações que se sucederam. Estes sinais são visíveis nas belas Igrejas que construíram e que estão presentes nas nossas cidades e comunidades. A fé que levavam no coração não era intimista, mas tocava a sua vida pessoal, familiar e comunitária, e isso os levou a olharem para novos horizontes que iam muito além da porta da Igreja. Foi esse espírito que os ajudou a olharem e a terem presente as necessidades da comunidade, a lutarem para a construção de escolas, hospitais, orfanatos, abrigos para idosos, etc. Poderíamos dizer que era uma fé simples, mas não podemos negar que estava profundamente enraizada no coração e na vida das pessoas e das famílias. Tinham eles um forte compromisso com a vida e o bem comum da comunidade.

Não precisamos ser peritos em estatística ou sociologia para perceber que a realidade econômica, cultural e religiosa passou por grandes transformações que influenciou o nosso contexto social. Não é um fato isolado, mas fruto de uma mudança de época que atinge, em contextos diversos, a pessoa, a família, a comunidade e também o que diz respeito à prática da fé. Desse modo, vemos que a fé deixou de ser, em parte, um fator agregador da família, da comunidade e da sociedade.

Queridos irmãos e irmãs, como Igreja e povo de Deus a caminho da casa do Pai, é tempo de semear, não só pelo testemunho de vida e por palavras, mas também através de obras. Não devemos ter medo de manifestar ao mundo a nossa fé no Senhor Jesus. Uma “fé simples e encarnada”, que se alimenta no Pão da Palavra e da Eucaristia, na escuta e no silêncio de Deus, que nos fala ao coração, pelas orientações da Igreja, através das orações simples de cada dia, pronunciadas pelos lábios, mas gravadas no coração, e também nas devoções populares e na celebração da vida de fé em comunidade.

Tenham todos um bom domingo.

+ Dom José Gislon, OFMCap.

Bispo Diocesano de Caxias do Sul