Artigos, Bispos › 27/10/2021

Ama! Ama! Ama!

A liturgia deste final de semana, em especial o Evangelho, Mc 12, 28-34, nos apresenta a essência da vida cristã: o AMOR. Convém que reflitamos um pouco sobre esse conceito, ou melhor, esse valor. Creio que ninguém ousa negar que esse é o valor dos valores, ou seja, o principal critério de moralidade e ética humana e cristã.

Santo Agostinho, homem que experimentou a fragilidade humana, mas que encontrando Jesus, assumiu o Evangelho como norma de vida, podia afirmar com toda segurança: “Ama e faz o que quiseres!” Não é difícil compreender que é assim mesmo. O agir de quem ama será sempre em conformidade com o verdadeiro bem, seja de si mesmo como dos outros, de quem quer que seja. Eu diria que quem ama já é cristão mesmo que não confesse a fé cristã. O que não dispensa anunciar o Evangelho porque esse potencializa as “sementes do Verbo”.

Vejamos a resposta de Jesus ao mestre da lei que lhe pergunta sobre o primeiro de todos os mandamentos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força!… E amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior que estes”. Como a reação do mestre da lei foi de concordância, o que não podia ser diferente diante de tamanha clareza, Jesus lhe disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus”.

Fica evidente que essa é a grande verdade, a essência de tudo e entre o amor a Deus e ao próximo não deve haver separação. Se verdadeiros esses dois amores se condensam num único amor. São João vai dizer: “quem diz amar a Deus que não vê e não ama o irmão é um mentiroso”.

Estamos concluindo o mês missionário e vem a nossa mente Santa Terezinha, padroeira das missões, mesmo sem nunca ter saído do convento e partiu para a casa do Pai aos 24 anos. Desejando chegar a todos os homens para comunicar-lhes o amor de Jesus e ser um pouco de tudo na Igreja, encontrou essa forma: AMAR. Entendeu que pelo amor chegarei a todos os membros do corpo de Cristo. Por isso queria ser o coração da Igreja.

Quando essas coisas entram no nosso coração nos libertam da tentação de fecharmo-nos em nós mesmos ou num pequeno grupo e se criam as condições para sair em missão. Por isso o papa Francisco, em sua mensagem para a Jornada Mundial das Missões, convida: “Hoje, Jesus precisa de corações capazes de viver a vocação como uma verdadeira história de amor, impulsionados a sair para as periferias do mundo como mensageiros e instrumentos de compaixão”.

Só um coração que ama e se compadece terá coragem de deixar tudo e sair para levar a boa notícia do amor de Deus a todos os que ainda não conhecem Jesus e não experimentaram o amor misericordioso. Sim, ama, ama, ama e faz o que quiser!

Para refletir: Como soa para mim essa reflexão sobre o amor? Consigo amar desse jeito ou ainda separo muito o amor a Deus e aos irmãos? Meu amar é totalmente gratuito e universal? Consigo amar/perdoar de coração?

Textos bíblicos: Dt 6, 2-6; Mc 12, 28-34; Sl 17(18)

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório