Artigos, Bispos › 30/08/2019

Aprender com o que já se sabe

Por Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano.

 

A relação do ser humano com o mundo é um elemento constitutivo de sua identidade. Por isso, as relações com o meio ambiente devem estar ancoradas numa antropologia e ética consistentes.

O uso da terra com suas riquezas adquire luz orientadora a partir dos avanços da ciência e da técnica. Assim, as relações humanas com os bens da natureza obtêm orientações mais seguras, a fim de promover sempre mais a necessidade de respeito e cuidado para com o ambiente.


O modelo econômico predominante se orienta pelo aspecto do lucro fácil. A natureza não pode ser usada, manipulada e explorada de forma arbitrária, e nem submetida à “vontade de poder”, característica da ação de mercados, como se ela não gozasse de dignidade e importância na determinação da qualidade de vida do planeta.


No Rio Grande do Sul, está tomando corpo o projeto de exploração de carvão mineral em diferentes regiões. Ora, aprender a partir de situações vividas no passado é ato fundamental de toda pessoa de bom senso. Países onde a extração era prática comum estão reduzindo drasticamente tal prática à causa das consequências para a atmosfera e para a vida em suas diversas manifestações.

 

É sabido que o carvão mineral é grande causador do aquecimento global, e isso sem considerar outros impactos no processo de exploração e suas consequências para a região onde isso acontece. Sabe-se que o carvão mineral possui composição complexa, capaz de colocar em risco a qualidade do ar, da água e da saúde humana.


Os bens naturais quando não sabiamente respeitados e utilizados em vista da vida plena para todos, tornando-se objeto da ação criminosa e gananciosa das mineradoras não interessadas no bem comum, se transformam em causa de morte. Geralmente, as empresas mineradoras optam pela exploração barata, o lucro fácil e o mínimo de retorno para a sociedade envolvida e atingida.


A atividade mineradora no Brasil se tornou eticamente insustentável e irresponsável, calamitosa e de altíssimo risco não só para a vida e saúde humana, mas também para a fauna e flora em suas áreas de atuação. Provavelmente aqui não será diferente.