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As Janelas da Alma

Recomendai aos vossos filhos que sejam virtuosos; porque apenas a virtude pode torná-los felizes, certamente não o dinheiro. Falo por experiência.” (Beethoven)

Há feridas que apenas o tempo pode curar. Muitas delas estão expostas na sociedade contemporânea, que parece não perceber nos acontecimentos os frutos das opções que fazemos enquanto humanidade.

Não apenas as pessoas estão conectadas, mas tudo o que existe. Às ações correspondem sempre as reações. É impossível isolar-se no mundo atual. Tudo, de certa forma, respinga em todos. E há algum tempo venho dizendo que a escola é a caixa de ressonância da sociedade.

As mesmas vicissitudes enfrentadas pela comunidade externa são transferidas para dentro do espaço escolar, que já não pode ser protegido por um muro ou por cercas. O fato é que o ser humano, que passa por uma revolução antropológica, devido à tecnologia passa também por uma revolução axiológica, isto é, vai escolhendo novos ‘valores’, nem sempre tão virtuosos.

Dessa forma, os modelos de vida passam a ser apresentados pela mídia com base no sucesso que fazem, nos likes, no número de seguidores nesta ou naquela rede social. Quem são? Como chegaram até aqui? Qual o arcabouço ou visão de mundo que os norteia? Nada disso é relevante! Lamentavelmente constatamos: a sociedade está doente! Estamos doentes! Adolescentes movidos sabe-se lá por quais instintos ameaçam e invadem escolas, com fins de cometer violência.

Obviamente nada justifica os últimos momentos que estamos vivendo com temor e pavor. Entretanto, podemos chegar ao início desse novelo emaranhado se nos dermos conta das pequenas violências que presenciamos (ou cometemos?) todos os dias. Somos violentos no falar, nos gestos e até no pensar. Temos dificuldade em dialogar, preferimos logo as contendas. Afastamo-nos daquele debate saudável e produtivo que nos ajuda a crescer. O fato é que não buscamos a verdade, o que queremos é ter razão, ainda que por vias erradas. Assim, desde que a mentira roubou as vestes da verdade, ela anda pelo mundo enganando a muitos. A nós também!

Com direito, a maioria dos pais está preocupada a curto prazo com a segurança dos filhos nas escolas. Mas a médio e longo prazo precisamos um empenho social em diminuir a violência, pois ela começa conosco. Os olhos são as janelas da alma e os melhores professores. As crianças, adolescentes e jovens repetem o que vivenciam. Precisamos moderar nosso jeito de ser, aprender a lidar com nossas emoções negativas, parar de despejar nos outros nossas insatisfações, aprender a conviver com as diferenças, respeitar o pensamento alheio. Sem isso podemos pôr um batalhão de soldados à frente de cada instituição educativa e, ainda assim, o problema da violência não se resolverá, pois a violência ou a paz, antes de tudo se aninham nos corações. Mudemos o coração e mudará a sociedade.  Tenho esperança!

Prof. Dr. Rogério Ferraz de Andrade