Artigos, Bispos › 03/11/2021

Assembleia Diocesana

Estamos no mês da realização da 13ª Assembleia Diocesana. A preparação recebe importância particular, uma vez que dela depende muito o sucesso de da própria realização deste evento eclesial. A assembleia encaminha as decisões para o Plano Diocesano de Pastoral, o qual vai orientar-nos na diocese pelos próximos quatro anos. Quanto maior tiver sido a participação das forças vivas da diocese, dentro de um espírito sinodal, mais poderemos dizer que o Plano será de fato “nosso” e por ele acontecerá a verdadeira comunhão eclesial para um comprometimento comum no futuro. As Paróquias ou outros organismos de pastoral, como movimentos, novas comunidades, associações não são feudos, quais grupos ou entidades isoladas, dentro da diocese, mas células atuantes da vida e da missão de uma Igreja particular, onde os diversos carismas e serviços, integrados, constroem o bem comum de uma Igreja-Comunhão e Participação, tão desejada pelo Concílio Vaticano II, pelas Conferências Latino-americanas posteriores, pelo Papa Francisco e os documentos da CNBB, em seus diversos níveis.

O processo preparatório nas comarcas e outras formas de participação forneceram importante material para a coordenação diocesana de pastoral, responsável pelos encaminhamentos da Assembleia. Que o Espírito Santo nos ilumine na definição de nossa caminhada diocesana para o futuro, realizando correta leitura dos sinais dos tempos, sobretudo no contexto da pandemia e do tempo pós-pandêmico.

As estatísticas revelam que o Estado do Rio Grande do Sul passa por acelerado processo de secularização ou secularismo (Viver como se Deus não existisse, com todas as suas consequências). A realidade e o processo preparatório revelam que esta situação vem minando também nossos ambientes, nossas comunidades ou cidades. Os analistas, em sentido geral, falam em mudança de época (DAp 44). A fé cristã não é mais transmitida como herança de uma geração para outra, de forma quase espontânea. Por isso os documentos dizem que hoje não podemos mais pressupor a fé cristã. O anúncio de Jesus Cristo precisa ser explicitado continuamente (DG 2015-2019, n. 41) e com criatividade, mesmo em famílias tradicionalmente católicas de nossas comunidades. Muitas pessoas também foram iniciadas ontologicamente, mas não evangelizados existencialmente, encontrando-se com Jesus Cristo: são cristãos batizados, mas que foram deixando a comunidade de fé ou só participam em eventos especiais, esporadicamente. Outros vivem um cristianismo apenas devocional, distante da vida e sem compromisso comunitário. Neste contexto não podemos mais contentar-nos com “uma pastoral de mera conservação”; somos convocados para “uma pastoral decididamente missionária” (cf. DAp 370 e DG 2015-2019, n. 30), com ousadia e criatividade, diria o Papa Francisco. Esta é uma preocupação da Igreja de nosso país, em que as dioceses sentem o desafio e o compromisso da busca de novos caminhos para a evangelização, sobretudo pelas comunidades eclesiais missionárias (cf. DG 2019-2023). O processo da Iniciação à Vida Cristã na perspectiva de uma Igreja samaritana, assumido na última assembleia, certamente foi acertado e valioso, trazendo seus frutos. Porém, diversos motivos, entre os quais a pandemia do coronavírus covid-19, impuseram seus limites, atrasando o processo e manifestando novas exigências. Por isso, o dito secular: “Ecclesia semper reformanda” = A Igreja precisa sempre reformar-se) torna-se atual e desafiador para nós todos na busca de novos caminhos. Invoquemos as luzes do divino Espírito Santo para encontrarmos as respostas mais adequadas para o momento presente e futuro de nossa história diocesana.

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul