Artigos, ATUALIDADES › 04/05/2022

Basílicas Papais em Roma

Os bispos do regional CNBB Sul3 estão em visita Ad Limina em Roma de 2 a 6 de maio. Este momento de grande sinodalidade e fraternidade é propício para a partilha e a avaliação do caminho das diversas dioceses do Rio Grande do Sul juntamente com o Santo Padre e os diversos Dicastérios do Vaticano. Uma particularidade que você certamente notou nestes dias é que os nossos bispos estão iniciando os seus trabalhos celebrando a Missa sempre em um local especial, nas chamadas Basílicas Papais: São Pedro, São João do Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Fora dos Muros.

Basílica de São João de Latrão

Mas o que são essas Basílicas Papais, ou Basílicas Maiores? A palavra “basílica” na verdade vem do latim basilica, que deriva do grego basiliké. Significa “real”, ou mais especificamente “casa real”, e é a forma mais antiga de se referir a um templo público do Cristianismo. No período do Império Romano, uma “basílica” era o lugar onde estava localizado o tribunal de justiça e que servia também para as transações comerciais de grande escala. Aquele tipo de estrutura foi aproveitado pelo imperador Constantino como modelo para os primeiros centros de culto cristãos que ele mesmo fundou, ou seja, as originais basílicas de São João de Latrão e de São Pedro. Na prática, a basílica representa os primeiras lugares de culto, as primeiras “igrejas”, depois do reconhecimento do Cristianismo como religião oficial do Império, quando pôde deixar a “clandestinidade” e a reunião ou culto nas casas privadas, até então chamadas domus ecclesia. Só num momento posterior surgiram os termos “igreja” (de ecclesia, que significa assembleia ou reunião) e “catedral” (de cadeira, a sede do bispo local).

Os Papas concedem o título de “basílica” a uma igreja de certa importância espiritual, histórica ou artística. Geralmente são santuários e catedrais que recebem um grande número de peregrinos pelos tesouros sagrados que guardam ou pela sua importância histórica. No total, existem mais de 1500 basílicas menores em todo o mundo, sendo que no Brasil estão 77 delas.

Entretanto todas essas são chamadas basílicas menores, diferente das quatro basílicas onde os bispos do Regional Sul3 celebraram ao longo desta semana, chamadas “basílicas maiores”. Apenas as quatro basílicas de Roma recebem este nome de maiores ou papais, diferenciando-se das temais por ter uma particular ligação com o Papa e gozarem de certos privilégios especiais, como ter um altar maior no qual apenas o Papa e seus delegados podem celebrar a Missa e uma Porta Santa que os fiéis podem cruzar durante um Ano Santo para receber indulgência plenária.

Basílica de Santa Maria Maior

A Basílica de São João de Latrão é a mais antiga de todas, sendo construída inicialmente pelo imperador Constantino no século IV, no palácio da família nobre dos Lateranos. O Papa São Silvestre consagrou o templo no ano 324, mas o formato atual só foi finalizado em 1589, após várias reformas e reconstruções. Ela tem enorme importância para o mundo católico por ser considerada a mãe de todas as igrejas, por isso abriga a sede (cátedra) do bispado de Roma, ou seja, do Papa. Além disso, ela é a única que recebe o título de Arquibasílica.

A Basílica de São Pedro foi construída entre 1506 e 1626 no local onde a tradição diz ter sido encontrado o túmulo de São Pedro. Hoje é parte do território do Vaticano. É a maior Igreja do mundo com obras de decoração interna de Bernini que realçam sua beleza. Ali ocorrem os conclaves e é a residência oficial do Papa.

A Basílica de Santa Maria Maior, conhecida sobretudo por ser o local onde o Papa Francisco se dirige para rezar antes e após suas viagens, foi construída entre os anos 442 e 440. Localizada no centro de Roma, é a primeira no Ocidente dedicada à Maria e foi construída pelo Papa Libério no local indicado por Nossa Senhora durante um sonho. Um dos destaques da Basílica é seu teto, que é todo feito de ouro.

A Basílica de São Paulo, localizado na via Ostiense, fora dos muros de Roma, também é importante por conservar o túmulo do apóstolo Paulo. Sua aparência original sofreu uma reestruturação em estilo de época e o mosaico de sua fachada foi substituído após um grande incêndio no ano 1823. No seu interior podemos contemplar o teto em caixotões e oitenta colunas de granito, além de alguns vestígios da basílica original.

* fr. Darlei Zanon, religioso paulino