Notícias › 24/03/2022

Bispos do Regional Sul 3 se encontram com movimentos sociais do RS

O momento reuniu representantes de 15 movimentos sociais, 14 arce/bispos e diversos membros das pastorais sociais do Rio Grande do Sul

Inspirados pelos encontros do Papa Francisco com os movimentos sociais e populares do mundo inteiro, o episcopado gaúcho realizou na noite desta quarta-feira, 23, um encontro com representantes dos movimentos sociais do Rio Grande do Sul. Participaram mais de 40 pessoas, entre elas representantes de 15 movimentos sociais, 14 arce/bispos e agentes das pastorais no Regional.

O encontro iniciou com a abertura pronunciada por dom José Gislon, presidente do Regional:

Quando nos colocamos na escuta das lideranças que atuam nos Movimentos Populares e nas Pastorais Sociais, nos deparamos com as realidades que tocam e ferem a vida do povo. Todos nós sabemos que elas existem, mas nem todos querem ver ou sentir o clamor que emana de uma realidade tão próxima, apontou dom José.

O Bispo Referencial da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora do Regional Sul 3, dom Sílvio Guterres Dutra, acolheu os participantes, explicando que a proposta do encontro nasceu da articulação das pastorais sociais no Estado e do processo da 6ª Semana Social Brasileira, que trabalha os temas da Terra, Teto e Trabalho.

Em seguida, os movimentos seguiram seus relatos, apresentando suas denúncias e partilhando suas necessidades, a partir da realidade e do contexto de cada um. Salete Carollo participou do encontro pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e pela Via Campesina. Segundo ela, a iniciativa do encontro é um fato inédito. “Não temos lembrança, em tantos anos, que tenhamos tido uma oportunidade igual a esta, de nos reunirmos para darmos continuidade ao diálogo”.

Também participaram do encontro o frei Olavo Dotto, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da CNBB; e Alessandra Miranda, Secretária Executiva da 6ª Semana Social Brasileira no Brasil.

Realidade que desafia

Entre os relatos partilhados pelos representantes dos movimentos sociais, alguns pontos convergem e chamam para uma mobilização social coletiva em prol da promoção e do cuidado com a vida. Os mais destacados foram justamente aqueles trabalhados pela 6ª Semana Social Brasileira: o direito a terra, ao teto e ao trabalho.

Outros pontos comuns, motivos de preocupação por parte dos movimentos, é o aumento da fome no Brasil, o alto índice de desemprego, as dificuldades enfrentadas pelas comunidades tradicionais (quilombolas, ribeirinhos e indígenas), as desigualdades sociais, os preconceitos de gênero e raça e as inúmeras consequências da pandemia do Covid-19.

Esperanças

Sigam promovendo sua agenda de terra, teto e trabalho. Sigam sonhando juntos! Não percamos a esperança. O convite do Papa Francisco aos movimentos também motivou o encontro na noite desta terça-feira, que diante da realidade de dor e dificuldades apresentadas assumiu o desafio de viver a esperança.

Maria Suziane Gutbier, do Fórum Gaúcho de Economia Popular Solidária, ressaltou o esforço do Papa Francisco no empenho e valorização das iniciativas populares comprometidas com a vida na terra, como resposta das crises do nosso tempo e reforçou que precisamos olhar sempre em frente sabendo que não caminhamos sozinhos:

“Temos a utopia de um mundo melhor, mas sabemos que ele é possível porque provamos dele em cada passo dado, no olhar e na prática de solidariedade de cada um e cada uma que caminha conosco e se compromete com a promoção da vida”, declarou Suziane.

O encontro foi avaliado de forma muito positiva pelos participantes que destacaram a necessidade de novas reuniões como esta: “Conseguimos fazer o que era possível neste formato e neste tempo. A intenção é que não seja um momento único, mas que nos suscite o compromisso de mais encontros, com mais tempo e quem sabe presença física”, comentou dom Sílvio.

Já para dom Gislon, o momento nos enche de esperança porque podemos perceber que o povo de Deus consegue olhar mais de perto a realidade dos feridos e fragilizados que estão a margem do caminho nos contextos onde vivemos.

“Queremos ter sempre esse espaço de escuta e colaboração, porque juntos temos que trabalhar e dar uma resposta de amor, compaixão e solidariedade a realidade deste povo que faz parte da realidade do nosso Estado”, concluiu dom José.

CNBB Sul 3