Notícias › 10/10/2022

Canonizado pelo Papa neste domingo (9), Scalabrini visitou o RS em 1904

O Papa Franciscou celebrou neste domingo, 09 de outubro, no Vaticano, a canonização João Batista Scalabrini, missionário e fundador da Congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos), em 28 de novembro de 1887 e da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos, em 25 de outubro de 1895.

Em 1904, o Rio Grande do Sul recebeu a visita de Scalabrini. De junho a dezembro, o italiano esteve com seus conterrâneos no Brasil e na Argentina. Em nosso Estado, passou pela Lagoa dos Patos, os rios Jacuí, Taquari e dos Sinos, e realizou diversas travessias pelo Rio das Antas.

Durante estes 7 meses, São Scalabrini celebrou na Santa Casa de Misericórdia, foi recebido pelo governador Borges de Medeiros, esteve na cúria diocesana e passou por Lajeado, Encantado, Coronel Pilar, Garibaldi, Veranópolis, Nova Prata, Nova Bassano, Farroupilha, Bento Gonçalves e Caxias do Sul. Neste tempo, celebrou em solo gaúcho a crisma de mais de 15 mil pessoas.

Dom Adilson Busin, bispo auxiliar de Porto Alegre é Scalabriniano e está em Roma em virtude da canonização do fundador da congregação. Para ele, é motivo de júbilo para a Igreja, para os migrantes e refugiados; para as congregações scalabrinianas, com suas escolas, hospitais, obras sociais, paróquias, seminários, rádios, casas de acolhimento e atenção aos migrantes.

Presente em 35 países, a obra scalabriniana marca sua presença no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre. Destaca-se como expressão desta presença a Igreja da Pompeia, de acolhida aos migrantes, e o Hospital Mãe de Deus, entre outras obras. E motivo de gratidão, pois Scalabrini esteve perto dos migrantes e perto de nós, ressalta dom Adilson.

A homilia do Papa

O Papa Francisco iniciou sua homilia com o episódio do Evangelho, da liturgia deste domingo, em que dez leprosos caminham juntos e vão ao encontro de Jesus que os cura, mas somente um deles volta «glorificando a Deus em voz alta» e agradece a Jesus. Era um samaritano, um estrangeiro.

A seguir, Francisco se deteve em dois aspectos dessa passagem do Evangelho: caminhar juntos e agradecer. O Papa ressaltou que “no início da narração, não há nenhuma distinção entre o samaritano e os outros nove. Fala-se simplesmente de dez leprosos, que formam um grupo e, sem divisão, vão ao encontro de Jesus. Como sabemos, a lepra não era apenas uma úlcera física, mas também uma «doença social», porque naquele tempo, por medo do contágio, os leprosos deviam estar fora da comunidade. Não podiam entrar nos centros habitados, mas eram mantidos à distância, relegados às margens da vida social e até religiosa. Caminhando juntos, estes leprosos clamam contra uma sociedade que os exclui. O samaritano, apesar de ser considerado herético, «estrangeiro», faz grupo com os outros. A doença e a fragilidade comuns fazem cair as barreiras e superar toda a exclusão, como nos recordou na primeira Leitura, Naaman, o sírio, que apesar de ser rico e poderoso, para se curar teve de mergulhar no rio onde se banhavam todos os outros”.

A exclusão dos migrantes é escandalosa

Hoje, no dia em que Scalabrini se torna santo, gostaria de pensar nos migrantes. A exclusão dos migrantes é escandalosa. Aliás, a exclusão dos migrantes é criminosa, faz com que morram diante de nós. E assim, hoje temos o Mediterrâneo que é o maior cemitério do mundo. A exclusão dos migrantes é nojenta, é pecaminosa, é criminosa. Não abrir as portas para quem precisa… “Não os excluímos, os mandamos embora”, para os campos de concentração, onde são explorados e vendidos como escravos. Irmãos e irmãs, hoje pensamos em nossos migrantes, aqueles que morrem e aqueles que são capazes de entrar. Nós os recebemos como irmãos ou os exploramos? Deixo esta pergunta.

A seguir, o Papa se deteve no aspecto: agradecer. “No grupo dos dez leprosos, há apenas um que, ao ver-se curado, regressa para louvar a Deus e manifestar a sua gratidão a Jesus. Enquanto os outros nove ficam purificados, mas prosseguem pelo seu caminho, esquecendo-se d’Aquele que os curou. O samaritano faz do dom recebido o princípio de um novo caminho: regressa para junto de Quem o sarou, vai conhecer Jesus de perto, inicia uma relação com Ele. Assim, a sua atitude de gratidão não é um simples gesto de cortesia, mas o início de um percurso de gratidão: prostra-se aos pés de Cristo, isto é, faz um gesto de adoração, reconhecendo que Jesus é o Senhor e que é mais importante do que a cura recebida”.

A celebração neste domingo, no Vaticano, marcou também a canonização do irmão salesiano Artêmides Zatti.