Artigos, Bispos › 14/04/2022

Celebrar a Páscoa do Senhor é celebrar a vida

Estimados irmãos e irmãs em Jesus, ressuscitado! Depois das celebrações da Sexta-Feira Santa, onde recordamos, à luz da fé, a paixão e morte do Senhor Jesus na cruz, podemos viver o sábado da Vigília Pascal e também o Domingo da Páscoa com sentimentos de que tudo parece ter terminado para sempre. Jesus viveu, anunciou o Evangelho, fez muitos milagres, mas teve um fim inglório. Morreu na cruz entre dois malfeitores. Essa visão da vida de Jesus é inconcebível na vida de um cristão batizado em nome da Santíssima Trindade, que acolheu, pela graça do batismo, ser discípulo do Senhor.

O cristão celebra a sua vida de fé seguindo os passos de Jesus na semana santa, mas não deixa de ser discípulo com os acontecimentos da Sexta-Feira Santa, ele permanece como discípulo em vigília, à espera do primeiro dia da semana, isto é, o Domingo, para celebrar a Páscoa da ressurreição do Senhor, a vitória da vida sobre a morte.

Um bonito testemunho de discípulo nos dá Maria Madalena, que vai ao sepulcro quando o dia ainda não tinha amanhecido, vê que a pedra do sepulcro foi removida e falta o corpo do Senhor. Maria Madalena, vendo por primeiro o sepulcro vazio, se sente envolvida na escuridão, não a da noite, mas a escuridão interior, de um amor ferido, que provoca o choro. As lágrimas aliviam a saudade, mas não fazem retornar à vida quem já foi entregue à morte. A escuridão interior que viveu Maria Madalena é vivida por pais, mães e filhos no mundo todo. Não pelo túmulo vazio, mas pelo vazio da perda de pessoas que amamos. Quem perdeu alguém que amava faria qualquer coisa para poder reencontrá-lo; mas sem um encontro de vida, que faça desaparecer a escuridão interior, corremos o risco de sempre ir procurar entre os mortos, aqueles que estão vivos em Jesus ressuscitado.

Como cristãos somos convidados a percorrermos um caminho de fé, que nos leve ao encontro do Senhor ressuscitado. Este peregrinar não termina na Sexta-Feira Santa, mas renasce com novo ardor e vigor na celebração da Páscoa. A ressurreição do Senhor Jesus nos mostra que o amor é mais forte que a morte. Ela não é um milagre para ser exibido, mas um evento de fé para ser acolhido no nosso coração. Sem isso, corremos o risco de ficarmos presos numa fé voltada a um Cristo morto e a um fato que aconteceu no passado, e não a um Cristo ressuscitado que está vivo e presente entre nós. Com a sua ressurreição, a morte foi vencida para sempre, dá-se início a uma nova criação, marcada pelo amor, a fé e a esperança no Ressuscitado, que caminha conosco na nossa peregrinação para a casa do Pai.

Uma feliz e santa Páscoa!

+ Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul