Artigos, Bispos › 13/10/2022

Como deve ser a nossa oração

Somos inclinados a transportarmos as experiências humanas para a nossa relação com Deus, na oração. Sabemos que as pessoas não gostam que lhes peçamos repetidas vezes o que necessitamos, e procuram esquivar-se ao nosso encontro, para não se verem forçadas a escutar os nossos pedidos. Deus é muito diferente de tudo isto.

Esta é uma das recomendações mais insistentes de Jesus no Evangelho. «Pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e vos será aberto». Por isso, ao perseverar na oração, fazemos a vontade do Senhor. No Evangelho deste Domingo (Lucas 18,1-8), Jesus recorre às diversas parábolas para nos fazer sentir a necessidade de orarmos sempre. Se o juiz iníquo, citado no Evangelho, atende a viúva, não é porque o seu coração se tenha comovido pela súplica, mas para se ver livre das suas lamúrias. Mas com Deus é diferente: ele atende-nos sempre, porque nos ama. Na oração de petição encontramos diversas vantagens: intensificamos a nossa familiaridade com Deus; temos mais tempo para nos apercebermos da riqueza do que nos é concedido; e, pelo diálogo continuado, a nossa amizade com Deus aumenta inevitavelmente.

Por que não concede o Senhor imediatamente o que lhe pedimos? Se, de acordo com o nosso modo de encarar as coisas, nos parece que Deus tarda em atender-nos, devemos procurar aprender a lição que Ele nos dá:

– Ele experimenta a nossa fé e confiança. Se nos atendesse no primeiro momento, não haveria lugar para renovarmos a nossa confiança nele. A fé consiste nisto mesmo: acreditar sem ver, confiar no Senhor. Se fôssemos atendidos prontamente, não haveria espaço para esta confiança;

– Ele ajuda-nos a ter uma intenção reta. À medida que vamos repetindo as nossas petições, somos instados a pensar seriamente se é mesmo isto o que Deus quer para nós;

– Ele deseja que prolonguemos o nosso diálogo com Ele, até que se torne contínuo. Este é o ideal de toda a vida cristã: vida de oração e de confiança em Deus.

É preciso lembrar que a oração de petição nunca foi um convite à preguiça, ou a uma forma de tentar de Deus, esperando que Ele nos substitua naquilo que podemos fazer. Devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance, ao mesmo tempo que pedimos. O Senhor não quer que a oração de petição, para alcançar a saúde, substitua a consulta do médico, o tomar os medicamentos, a aceitação de certas restrições de saúde.

A Celebração da Eucaristia dá-nos esta eloquente lição. Para se nos dar em alimento, o Senhor pede-nos que coloquemos sobre o altar uma dádiva insignificante, mas indispensável: um pouco de pão ázimo e uma pequena quantidade de vinho a que o sacerdote mistura algumas gotas de água.

Com este mesmo espírito, e ajudados pelo exemplo de Maria Santíssima no Cenáculo, perseveremos na oração de petição.

Queridos irmãos, na próxima sexta feira, dia 21 de outubro, vamos comemorar o 15o aniversário da beatificação de nossos mártires da fé, os Beatos Manuel e Adílio. Confiemos nossas necessidades à intercessão desses nossos irmãos na fé, padroeiros de nossa Diocese, pedindo também a Deus a graça de sua canonização.

E não nos esqueçamos de rezar pelo nosso país, pedindo as luzes de Deus para escolher os candidatos aos cargos eletivos no 2o turno das eleições. Que nossa escolha recaia sobre aqueles que estão comprometidos com os valores cristãos que professamos em nossa fé. Seria uma incoerência de nossa parte votar em candidatos que defendem princípios e valores contrários à fé cristã. Deus nos ilumine e abençoe o Brasil!

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen