Artigos, Bispos › 10/06/2022

CORPUS CHRISTI: Adorar o Corpo de Cristo e servi-lo nos pobres

Corpus Christi, do latim, Corpo de Cristo, designa a festa litúrgica que a Igreja católica celebra na quinta-feira depois da festa da Santíssima Trindade, para comemorar de modo particular a Eucaristia, instituída por Cristo durante a Última Ceia, quando ofereceu a seus discípulos no pão e no vinho o Seu corpo e Seu sangue, memoriais da nova e definitiva aliança. Cada Santa Missa atualiza esse sacrifício de amor de Jesus. Essa solenidade foi instituída em 1247 por iniciativa de Santa Juliana na Bélgica e em 1264, com o Papa Urbano IV foi estendida a toda a Igreja católica.

A celebração ocorre numa quinta-feira, em referência à Quinta-feira Santa, que celebra a instituição da Eucaristia no contexto do Tríduo Pascal. No dia de Corpus Christi os cristãos católicos expressam publicamente a sua fé no Corpo e no Sangue de Cristo. Comunicam nas ruas e praças o que celebram cotidianamente no interior dos templos: a fé de que Cristo está verdadeiramente presente no pão e no vinho consagrados. O Corpo de Cristo é adorado nos altares, carregado no ostensório, recebido em comunhão e levado aos enfermos. Para marcar esta festa, surgiu o costume de adornar as ruas com tapetes por onde o Cristo na hóstia consagrada é levado em procissão.

Mais recentemente, na fidelidade ao que o Evangelho ensina e com o olhar voltado para a realidade de fome e miséria que crescem entre nós, tem se consolidado um novo costume: enfeitar a festa com a nossa solidariedade.

Comungar o Cristo é uma graça. Toda graça é dom que reclama uma resposta, um compromisso. Afinal, o amor é reciprocidade. Ao receber o Corpo dado e o Sangue derramado na cruz, o cristão se compromete também em participar da missão do Mestre que declarou “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).

É por isso que na procissão de Corpus Christi recolheremos alimentos, agasalhos, e recursos para a nossa população carente.  Não se trata de esmola, mas de justiça, pois ao irmão que passa necessidades, o Pai exige a fraternidade de seus filhos. Trata-se de um clamor para alinhar culto e ética, liturgia e compromisso social.

Essa tradição de associar a Eucaristia ao serviço da caridade é tão antiga como o Cristianismo, pois vincula estreitamente o amor ao Corpo de Cristo servindo-o no corpo dos pobres. É o que atesta São João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla (atual Istambul) no século IV: “De que serviria, afinal, adornar a mesa de Cristo com vasos de ouro, se ele morre de fome na pessoa do pobre? Primeiro dá de comer a quem tem fome, e depois ornamenta sua mesa como que sobra”.

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria