Disponibilidade e fidelidade, até na hora do martírio!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! O caminho percorrido pelos apóstolos Pedro e Paulo foi o de discípulos que deixaram a fé moldar suas vidas e guiar seus passos, até o martírio e à comunhão definitiva com o Mestre Jesus.

Ambos trabalharam na formação de uma comunidade eclesial que, mesmo perseguida, alimentava a vida de fé, através da escuta da palavra de Deus, da partilha do pão e da caridade. Através do compromisso de fé, experimentaram o cansaço e, às vezes, traições, mas também a alegria ao verem a semente da Boa Nova ser acolhida no coração de tantas pessoas.

Pedro e Paulo entregaram a vida como primícias da fé cristã.  E pelo testemunho de fé dos apóstolos, nós renovamos no creio a nossa profissão de fé em Jesus, o Messias, o Filho de Deus. Mas para compreender que Jesus era o Messias, o Filho de Deus, os próprios apóstolos, chamados pelo Senhor, precisaram percorrer um caminho de conversão. Não bastava caminhar com Jesus para ser discípulo, era preciso acolhê-lo no coração e na caminhada de fé. Podemos dizer que não foi uma tarefa fácil; eles tiveram dificuldades em identificar Jesus de Nazaré, o Filho do carpinteiro José, como o enviado por Deus.

Pedro e Paulo, essas duas colunas da Igreja, cada um ao seu tempo, como apóstolos de Jesus Cristo, aprenderam a confiar no Senhor, principalmente nos momentos mais difíceis da vida e na missão. Ambos fizeram um grande esforço para conhecer o “mundo” das pessoas, que encontraram na missão de anunciar Jesus Cristo, o Filho de Deus, morto e ressuscitado, até o martírio. Na missão, precisaram lutar não somente contra os perseguidores, mas sobretudo contra o medo do desconhecido e as dúvidas sobre as escolhas que deviam fazer.

Porque o verdadeiro discípulo não deve jamais deixar de lutar contra os aspectos da vida que podem levá-lo a afastar-se de Deus. O maior inimigo, para quem é enviado a anunciar Jesus Cristo, não é tanto quem o quer eliminar fisicamente, mas tudo aquilo que pode minar e fragilizar a sua confiança no Senhor, o seu doar-se gratuitamente, o seu ser misericordioso, o seu entregar-se para poder cuidar dos outros.

Aos olhos de quem não crê, a vida dos apóstolos, assim como a vida de tantas outras pessoas de fé, pode parecer um desperdício: nenhum ganho, nenhum luxo, nenhuma grandeza, nenhum reconhecimento de poder. Mas, quem não crê muitas vezes não consegue entender que a alegria maior de quem tem fé é servir ao Senhor, ser amado e amá-lo, poder anunciá-lo, com a alegria que dele recebemos, e poder levar a tantas pessoas a paz, o amor, a esperança e a bondade de Deus.

 

+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul