Artigos, Bispos › 23/09/2020

E agora, com este corona solto, o que fazer?

Durante este longo tempo de quarentena, a grande pergunta, que todos se fazem, é aquela da primeira leitura deste domingo: “Qual é a conduta certa? É a minha conduta que não é correta, ou antes, é a vossa conduta que não é correta?” (Ez 18,25-). Passamos por um longo período em que nós todos nos perguntávamos, o que é o certo, o que fizemos ou o que poderíamos ter feito? O certo é que resistimos, estamos aqui, não chegamos a fazer tudo o que deveríamos ter feito, mas estamos vivos e ajudamos também para que outros pudessem viver.

Neste final do mês de setembro, sempre celebramos o dia da Bíblia, pela proximidade com a festa de São Jerônimo. Este foi na verdade o grande tradutor da Bíblia e aquele que iniciou os estudos bíblicos, a partir da língua em que cada livro bíblico foi escrito. É o domingo em que todos nós deveríamos reverenciar a Bíblia, como a Palavra de Deus, como aquela que há quase três mil anos oriente os homens de fé.

É da Bíblia que nós extraímos o pensamento de Paulo, na segunda leitura deste domingo: “Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro e mais importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro. Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus” (Fil 2,3-5).

E a grande palavra deste final do mês de setembro é aquela que encontramos no Evangelho. Nossa grande tarefa no mundo é trabalhar em nossa conversão, nesta capacidade de mudar de atitude e assumir novos posicionamentos no mundo em que vivemos. Jesus conta a parábola em que os dois irmãos foram mandados para trabalhar na vinha. O primeiro disse que não iria, mas depois se arrependeu e foi trabalhar. Muito pior fez o segundo que, na hora prometeu que iria, mas não foi.

Não basta ter a intenção, o plano e o projeto de realizar uma tarefa. Precisamos é meter mãos à obra. A Palavra de Deus quer de nós a capacidade de trabalhar na conversão e na mudança de vida. Esta é uma tarefa urgente e não existe prorrogação.

Dom Zeno Hastenteufel – Bispo Diocesano de Novo Hamburgo