Educar para a esperança
Educar nunca foi apenas transmitir conhecimentos. Educar é ajudar alguém a descobrir um sentido para a vida, desenvolver seus dons recebidos por Deus e aprender a construir relações marcadas pela fraternidade. Por isso, em tempos de insegurança, vínculos frágeis e rápidas transformações culturais, uma das maiores missões dos pais, avós e educadores e comunidades de fé é educar para a esperança.
O Papa Francisco ofereceu ao mundo o Pacto Educativo Global, convocando-nos a reconstruir a aliança educativa entre família, escola, sociedade e comunidade de fé. Para ele, educar é sempre um ato de esperança, porque significa acreditar que cada criança, adolescente e jovem traz dentro de sul possibilidades ainda não realizadas. Não se educa apenas para o presente imediato, mas para o futuro que está sendo construído.
O Evangelho nos oferece uma imagem luminosa dessa missão. Quando os discípulos tentavam afastar as crianças, Jesus disse: “Deixai vir a mim as crianças e não as impeçais” (Mc 10,14). Cristo não vê nelas apenas o futuro da sociedade, mas uma presença viva do Reino de Deus. Educar, portanto, é aprender a olhar cada pessoa com o mesmo olhar de confiança, ternura e esperança com que Deus a contempla.
Os avós possuem um papel insubstituível nessa tarefa. São guardiões da memória, testemunhas das lutas vencidas e da fidelidade de Deus ao longo da história. Num mundo que frequentemente valoriza apenas a novidade, os idosos recordam às novas gerações que a esperança não nasce da improvisação, mas da experiência amadurecida, da perseverança, da oração e da fé vivida no cotidiano.
Desde o início de seu pontificado, o Papa Leão XIV tem recordado que a esperança não pode ser reduzida a um sentimento passageiro, mas deve tornar-se uma força capaz de transformar a sociedade. Inspirado pela tradição da Doutrina Social da Igreja, ele tem destacado que a educação é um dos caminhos mais eficazes para promover a dignidade humana, a justiça social e a cultura do encontro. Ao falar dos desafios do nosso tempo, especialmente diante das rápidas mudanças tecnológicas, recordou que o progresso só será verdadeiramente humano quando estiver a serviço da pessoa e das futuras gerações.
Educar para a esperança significa ensinar que a vida tem sentido mesmo diante das dificuldades. Significa formar pessoas capazes de sonhar sem fugir da realidade, enfrentar os desafios sem perder a confiança e de construir pontes onde outros preferem levantar muros. A verdadeira esperança não ignora as dores do mundo, mas aprende a atravessá-las com fé, coragem e compromisso.
A esperança, porém, não se transmite apenas com palavras. Ela é comunicada sobretudo pelo testemunho. Um pai que persevera, uma mãe que encoraja, um avô que testemunha a fé, um professor que acredita em seus alunos e uma comunidade que acolhe tornam-se sinais vivos de que o bem continua possível.
As novas gerações não precisam apenas de informações. Precisam de referências. Precisam de adultos que lhes mostrem, com a própria vida, que vale a pena acreditar, servir, amar e recomeçar. Educar para a esperança é, em última análise, ajudar cada pessoa a descobrir que Deus continua conduzindo a história, sustentando seu povo e abrindo caminhos de vida para o futuro.
+ Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria e presidente do Regional Sul 3 da CNBB