“Este é o meu Filho amado… escutai-O” (Mt 17,5)

Introdução – O tema central do Domingo

No 2º Domingo da Quaresma, a Igreja nos conduz ao mistério da Transfiguração do Senhor. Depois do apelo inicial à conversão, a liturgia nos oferece uma experiência de luz: Jesus manifesta sua glória diante dos discípulos para fortalecê-los no caminho que passa pela cruz. A Quaresma, assim, não é apenas um tempo de penitência, mas de educação do olhar da fé, para aprender a enxergar a realidade — pessoal e social — à luz do projeto de Deus.

 

Brevíssimo comentário das Leituras

O chamado de Abraão revela uma fé que se traduz em saída: deixar a terra, as seguranças e os próprios cálculos, confiando unicamente na promessa de Deus.

O salmo proclama que a esperança do justo está no Senhor, cuja fidelidade sustenta o povo em meio às incertezas da história.

São Paulo afirma que o amor de Deus, manifestado na entrega do Filho, é mais forte que qualquer acusação ou sofrimento.

Na Transfiguração, Jesus revela sua identidade divina e recebe do Pai a confirmação solene: Ele é o Filho amado, aquele que deve ser escutado. A glória antecipada prepara os discípulos para o escândalo da cruz.

Aplicação prática e a Campanha da Fraternidade

A Transfiguração ensina que a fé cristã não nos afasta da realidade concreta, mas nos dá luz para transformá-la. O discípulo que sobe ao monte com Cristo é enviado a descer, levando esperança, compromisso e responsabilidade para o mundo.

Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade 2026, com seu chamado à reflexão e à ação concreta em favor da moradia digna, encontra profunda sintonia com a mensagem deste Domingo. Escutar o Filho amado implica assumir seu olhar compassivo sobre as condições de vida dos filhos de Deus, especialmente dos mais pobres, que sofrem com a falta de casa, de segurança e de dignidade.

 

Aplicar a mensagem deste Domingo no dia a dia significa:

A experiência do monte não nos aliena do mundo; ao contrário, nos devolve a ele com um coração novo. Quem contempla Cristo transfigurado aprende a reconhecer, mesmo nos rostos marcados pelo sofrimento, a dignidade de filhos e filhas de Deus e a trabalhar para que essa dignidade seja respeitada e promovida.

Além disso, o tempo do deserto quaresmal deve nos levar a compreender a desfiguração que o pecado produz em nós. Neste sentido, é o tempo de buscar o perdão de Deus e a reconciliação com os irmãos, através do sacramento da Confissão. Após cada Confissão, saímos transfigurados pela Graça do Perdão e da Reconciliação.

 

+ Dom Antônio Carlos Rossi Keller
Bispo da Diocese de Frederico Westphalen