Artigos, Bispos › 25/03/2020

Eu sou a ressurreição e a vida

O Profeta Ezequiel, no trecho da 1ª Leitura deste Domingo (Ezequiel 37,12-14) relata a visão dos ossos ressequidos que são recobertos de carne e revivem. É a imagem do povo de Deus exilado na Babilônia. Um povo sem liberdade, oprimido, sem esperança. Deus manda soprar sobre esses ossos sem vida e vemos que a força do Espírito levanta a pedra do sepulcro, os ossos organizam-se, movimentam-se como um exército. O Espírito de Deus transforma o povo antigo num povo novo. Deus infunde o seu Espírito e opera um novo Êxodo, uma nova Páscoa. “Hei de fixar-vos na vossa terra. Reconhecereis que Eu sou o Senhor.”

Entre os muitos milagres que Jesus realizou lembremos a ressurreição da filha de Jairo, chefe da sinagoga e a ressurreição do filho da viúva de Naim. Hoje temos, no Evangelho (João 11,1-45) a leitura da ressurreição de Lázaro. A ressurreição de Lázaro aponta-nos para a vida nova que nos é oferecida pela comunhão com Jesus, que por nós morreu e ressuscitou. Pelo Batismo fomos sepultados com Cristo na sua morte para participarmos na vida nova “escondida com Cristo em Deus.”. O Prefácio da Missa de hoje mostra bem a humanidade e a divindade de Jesus Cristo: como verdadeiro homem chorou pelo seu amigo Lázaro, como Deus eterno ressuscitou-o do sepulcro.

Nos Domingos anteriores da Quaresma, também contemplamos Jesus, verdadeiro homem que jejuou durante quarenta dias e foi tentado, no deserto, pelo demônio. Jesus que jejua, que é tentado, que chora é verdadeiro homem, mas, no alto do Tabor, ouvimos a voz do Pai celeste, proclamando-o seu “Filho muito amado”. Escutemos a voz de Jesus. Com a sua Palavra poderosa e com a força do Espírito Santo, Jesus é a vida dos homens. Jesus é a ressurreição dos mortos. Por Jesus passamos da morte à vida. Por Ele deixaremos “o abismo profundo e habitaremos para sempre na casa de Deus”, como recitamos no Salmo Responsorial (Salmo 129).

O relato da morte e da ressurreição de Lázaro reaviva a nossa fé. Preparamo-nos para celebrar o Mistério da Páscoa, o Mistério da Morte e da Ressurreição de Jesus. Por nosso amor, Jesus aceitou morrer para nos dar a vida com abundância. Se morrermos com Ele, também com Ele ressuscitaremos. Marta e Maria, irmãs de Lázaro acreditaram. Muitos dos estavam ali presentes, “ao verem o que Jesus fizera acreditaram nele.” Com todos os que tem acreditado em todos os tempos, podemos dizer a Jesus: Senhor, nós acreditamos. Vós sois a ressurreição e a vida! Vós sois o Filho de Deus vivo.

Queridos irmãos e irmãs, estamos nos preparando para a Semana Santa, que neste ano será celebrada de forma totalmente inusitada: nossas Igrejas vazias. Nós todos encerrados em nossas casas. Façamos um grande esforço de vivermos bem esta Semana Santa: intensificando a oração, meditando silenciosamente os Mistérios principais de nossa Salvação, acompanhando as cerimônias sagradas através dos meios de comunicação e das mídias sociais.

Especialmente, cuidemos também materialmente de nossos padres… Preocupo-me muito com eles: sozinhos, sem a companhia do povo que tanto amam e por quem dedicam suas vidas, por amor a Deus. Não os abandonemos, através de nossa oração, de nossa ajuda às Paróquias e do acompanhamento das Cerimônias através dos meios de comunicação.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen