Fé e compromisso com Deus e com o próximo

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! O tempo sagrado da Quaresma é este tempo especial de preparação para a celebração da Páscoa. A Igreja, ciente da sua missão de zelar pela vida espiritual de seus filhos e filhas, nos oferece, através da palavra de Deus e do Sacramento da Reconciliação, um itinerário de formação espiritual continuada, com o objetivo de nos preparar para a festa da Páscoa do Senhor.

No caminho espiritual do cristão está presente o deserto, símbolo da aridez, das tentações, das provações, do despojamento e da purificação. Mas o deserto, visto na Bíblia como o lugar de provação física, é também lembrado como o lugar da purificação, da escuta e do encontro com Deus. Portanto, a Quaresma deveria ser na vida do cristão o tempo do silêncio, da escuta, da reflexão e do discernimento. Não o silêncio visto como fuga da realidade da vida, buscando um mundo paralelo e mais fácil. Mas o silêncio que busca contemplar o rosto transfigurado de Cristo Jesus, sobre o qual resplandece a luz de Deus e a face do Pai. Lembrando que o rosto transfigurado de Cristo está presente hoje na face desfigurada do pobre, do enfermo, do prisioneiro e do migrante. E nós somos chamados a mostrar, através da nossa fé, traduzida em obras de caridade, o rosto da bondade e da compaixão de Jesus.

Recordemos, queridos irmãos e irmãs, que o amor verdadeiro não nasce de nós. O amor que o Senhor quer é uma resposta ao seu amor, que vem sempre “antes” do nosso. Sem o seu amor, sem a sua graça, nada podemos. É a graça de Deus que torna cada nosso gesto de amor uma resposta ao infinito amor do Criador, aliás, o alimenta e o sustenta. Podemos, através da abertura de coração, deixar o Senhor e a sua graça agirem na nossa vida, para sermos instrumentos nas mãos de Deus.

“Eu vim para servir” (Mc 10,45): colocar-se a serviço da vida dos irmãos é uma oportunidade que Deus nos oferece para fazer renascer o sentido da nossa própria vida. Quando colocamos um pouco da nossa vida e do nosso tempo a serviço da vida dos outros, não rompemos só a barreira do isolamento e da indiferença, mas abrimos as portas do nosso coração ao amor mais sublime, aquele que se doa, que sente compaixão e se compromete com a dignidade da vida dos irmãos e pelo bem comum da sociedade.

 

+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul