Artigos, Bispos › 27/08/2019

GRANDE MESSE – POUCOS OPERÁRIOS

Caros diocesanos. O evangelista Mateus escreve que Jesus, vendo as multidões que o seguiam, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor. E acrescentou: “A messe é grande e os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita” (Mt 9, 36-38). Em seguida, chamou os apóstolos e os enviou para anunciar a Boa-Nova do Evangelho, pois o Reino de Deus estava próximo, estava presente em Jesus e a partir dele com todos os que o acolhiam em sua vida.

Quando penso em nossa Diocese de Santa Cruz do Sul, vejo que este Evangelho está próximo de nós. Vejo multidões de pessoas necessitadas de maior acompanhamento, assistência, presença da parte da Igreja, em diversas formas de pastoral. Sim, os operários são poucos e a messe é grande! No tempo de Jesus não foi diferente. O grupo era pequeno e o desafio da missão, enorme. No entanto, a Igreja é um acontecimento inquestionável a serviço do Reino de Deus, que já perdura por mais de vinte séculos.

Na nossa diocese também é assim. Deus age no e através do pequeno grupo de presbíteros, de diáconos, de consagrados/as, de ministros/as extraordinário/as, de catequistas e demais lideranças leigas. A ação de Deus se faz sentir nas diversas pastorais, serviços e movimentos. Quantos encontros de fim-de-semana são realizados em que pessoas leigas procuram as comunidades para celebrar sua vida, para ali aprofundarem sua formação cristã, para fortificarem sua fé, sua espiritualidade, para fazerem experiência de Igreja, de comunhão cristã. Também os adolescentes e jovens estão sendo atraídos mais pelo novo processo de Iniciação à Vida Cristã, no espírito catecumenal. Também as crianças são bem-vindas, pois elas têm o direito de fazer conosco a experiência da fé e da comunhão eclesial.

Ficamos felizes ao perceber a fé com que se reza a oração pelas vocações: “Jesus Mestre divino”. Também hoje Deus continua a chamar e enviar. Temos que fazer a nossa parte, ou seja, os jovens sejam generosos e abertos diante do convite do Senhor; os pais, as famílias alegrem-se com a graça e apoiem o dom vocacional dos filhos e das filhas; a comunidade estimule com sua ajuda e sua oração; os presbíteros e diáconos, os consagrados e as consagradas sejam testemunhas de vida feliz, entusiasta no serviço ao Senhor e ao povo que lhes é confiado para o pastoreio; que as casas de formação sejam espaços privilegiados para os/as vocacionados/as (DAp 315-316).

Certamente, nossas conversas sobre as diversas vocações causam grande influência nas famílias, setores de pastoral, movimentos, serviços, assim como a participação efetiva e afetiva na comunidade eclesial. Dificilmente surgirão vocações de ambientes onde não se vive e se cultiva com estima a fé cristã. Graças a Deus, iniciamos em 2018 o Seminário Propedêutico Interdiocesano. Os seminaristas seguem na fase de discernimento e decisão. Outros candidatos estão se informando e participando de encontros vocacionais. Duas ordenações presbiterais estão previstas para o final de 2019. Temos um bom número de possíveis candidatos para Diáconos permanentes, que concluíram a Escola Diaconal. Vários deles já manifestaram os primeiros sinais de que desejam abraçar essa forma de vida. Cerca de mil catequistas para o batismo estão em fase de preparação em nossas comunidades. Unamos nossos esforços nesta hora da graça de Deus, pois a responsabilidade é também de todos nós. Juntos, clamemos: “Enviai, Senhor, operários para vossa messe! Dai-nos, Senhor, também o senso de responsabilidade para fazermos nossa parte”!

Dom Aloísio A. Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul