Artigos, Bispos › 16/09/2020

Ide vós também para a minha vinha!

A Palavra de Deus sempre surpreende, provocando os mais variados sentimentos: estupor, maravilha, consolação, alegria, esperança, paz, perplexidade, tristeza, arrependimento, dor, lamentação, indignação, força, conversão e muitas outras emoções.

Não percamos a oportunidade que o Mês da Bíblia nos oferece para dar um salto de qualidade na nossa relação com Ela, no sentido de valorizá-la mais, considerá-la mais, lê-la mais, amá-la mais, frequentá-la mais…

Para quem participa das celebrações nas comunidades está acostumado a ouvir depois da proclamação das leituras: “Palavra do Senhor!” ao que todos respondem: “Graças a Deus!” Como dizer: “que bom, que coisa boa estarmos ouvindo o nosso Deus”. E depois do evangelho: “Palavra da Salvação!” O que respondemos? “Glória a vós Senhor!” Ou seja, “é isso que queremos, é isso que acreditamos!”

Se é Palavra Salvadora – como proclamamos – não deveríamos dedicar-lhe mais atenção e intensificar nossa vontade de conhecê-la, meditá-la e rezá-la todos os dias, como gênero de primeira necessidade, para a nossa saúde física e espiritual? Quem de nós não deseja a salvação? Mas, onde a buscamos?

Deveríamos ser mais honestos conosco mesmos e reconhecermos que não acreditamos no poder da Palavra. Se acreditássemos de verdade a frequentaríamos mais para dela receber luz e força que sustentam nossa caminhada.

Vejam como é bonita e singela a exortação de Isaias 55, 6: “Buscai o Senhor enquanto pode ser achado; invocai-o enquanto ele está perto”. Ficar ruminando essa palavra com calma, deixando-A ressoar em nosso coração por longo tempo vai gerando uma energia e força incalculáveis.

Assim também Mt 20, 1-16: “Ide vós também para a minha vinha!” ou: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros”. Frases que podem suscitar um apelo a seguir Jesus, a participar mais da vida da Igreja, a sermos mais humildes, disponíveis e dóceis no relacionamento com outros.

Outro pode ficar mais tocado com Filipenses 1, 20-27: “vivei a altura do Evangelho de Cristo” e com isso sentir-se interpelado a rever a própria vida e prática cristã, até o ponto de propor-se viver com mais responsabilidade e compromisso com Deus e com os irmãos.

Para alimentar a nossa vida da Sagrada Escritura não precisamos ser espertos em exegese, basta sermos pessoas de fé: acreditarmos que a Sagrada Escritura é Palavra viva e eficaz, que realiza aquilo que diz.

Entremos para a vinha do Senhor, onde não existe desemprego, nem exclusão, nem marginalização, nem trabalho escravo, mas valorização, respeito e lugar para todos os homens e mulheres de boa vontade.
“Ide vós também para a minha vinha”.

Para refletir: Que tal aceitarmos o convite a trabalharmos na vinha do Senhor? Ou receio que o Senhor me leve a sério? Ou, temo que com isso precise deixar para traz coisas, até boas, mas que não fazem minha realização e felicidade? Acredito no poder da Palavra de Deus?

Textos bíblicos: Is 55,6-9; Fil 1, 20-27; Mt 20, 1-16; Sl 144(145).

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo Diocesano de Osório