CNBB › 04/06/2019

Igrejas celebram Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Nos dias que antecedem a Solenidade de Pentecostes, é celebrada no hemisfério Sul a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC). De 2 a 9 de junho, é proposto para reflexão o tema inspirado no livro de Deuteronômio: “Procurarás a justiça, nada além da justiça” (Dt 16.11-20).B

O tema proposto para a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) neste ano é inspirado no livro de Deuteronômio: “Procurarás a justiça, nada além da justiça” (Dt 16.11-20).

No hemisfério norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é celebrada de 18 a 25 de janeiro. Em 2019 ela foi aberta pelo Papa Francisco na Basílica de São Paulo fora-dos-muros, ao presidir a celebração das Vésperas. “É um grave pecado desdenhar ou desprezar os dons que o Senhor concedeu a outros irmãos, pensando que esses sejam de algum modo menos privilegiados aos olhos de Deus. Se alimentarmos tais pensamentos, consentimos que a própria graça recebida se torne fonte de orgulho, injustiça e divisão. E, então, como poderemos entrar no Reino prometido?”, disse em sua homilia.

Promovida mundialmente pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Mundial de Igrejas, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) convida à celebração da Justiça fundamentada na graça de Deus, de acordo com carta divulgada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic).

Esta justiça nos desafia a olharmos para a complexidade dos problemas da humanidade, a revermos as relações de poder e a compreendermos que os interesses individuais ou de grupos econômicos não podem ser colocados acima dos seres humanos, da integridade da Criação e do bem-estar da humanidade”, lê-se no texto assinado pelos representantes das Igrejas-membro.

Neste ano, o SOUC foi preparada por cristãos da Indonésia. O país de 265 milhões de pessoas tem 10% de cristãos. No Brasil, a preparação ficou por conta do Conic de Minas Gerais. Na carta divulgada pelo Conic, são lembrados os rompimentos das barragens de rejeitos de mineração provocados “pelos interesses econômicos de grupos financeiros que têm na mineração a sua geração de riquezas”. Os representantes das Igrejas afirmam ser impossível não pensar nas pessoas de diferentes tradições de fé e também nas pessoas que não se vinculam a tradições religiosas que perderam amigos, amigas e familiares no rompimento da Barragem do Córrego do Feijão.

“Queremos orar para que a Justiça da graça de Deus subverta a justiça humana que nem sempre assegura a reparação às pessoas afetadas pela ação de grandes corporações. Que das vidas interrompidas, pela destruição ambiental provocada pelo rompimento desta barragem sejam colocados acima das perdas financeiras das empresas mineradoras”, afirmam.

Nas intenções desta semana, as famílias afetadas pela mineração, as pessoas que dependem do rio Doce, do rio Paraopeba e do Rio São Francisco para sobreviverem. “Estes rios sofrem os impactos da exploração mineradora. Que possamos atuar para a recuperação dos rios. Em nossas orações, lembremos dos povos indígenas que também sofrem com esta a destruição e pelas inúmeras famílias camponesas que perderam suas roças”.

Assinaram a carta do Conic: dom Leonardo Ulrich Steiner, bispo auxiliar de Brasília (DF) e ex-secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); pastora Sílvia Beatrice Genz,Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; bispo Naudal Gomesbispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil; presbítera Anita Sue Wright Torres,moderadora da igreja Presbiteriana Unida do Brasil; dom Paulo Titus,arcebispo da Igreja Sirian Ortodoxa de Antoquia; e pastor Paulo César Pereirapresidente da Aliança de Batistas do Brasil.

Fonte: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)