Artigos, Bispos › 13/03/2020

Jesus, Fonte da água viva

“Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. Respondeu-lhe a samaritana: Como é que tu, sendo judeu me pedes de beber, sendo eu samaritana?”. Assim lemos em um trecho do Evangelho deste Domingo (João 4,5-42).

O Evangelho nos fala da água viva, a água viva da Graça. Nós a recebemos no Batismo, pelos merecimentos de Jesus. Ela é água da vida, vida que começa na fonte batismal, deve desenvolver-se como a vida humana, até a sua plenitude no paraíso.

A graça santificante é a participação da natureza divina em nós e nos anjos. Somos “deificados”, tornados membros vivos do Corpo Místico de Jesus Cristo. São Paulo fala-nos de uma nova criatura, quando se refere às pessoas que vivem na Graça de Deus. Torna-nos filhos de Deus e, como tais, herdeiros do Céu. O Paraíso é a Casa do nosso Pai onde habitaremos para sempre, se nesta vida vivermos como bons filhos.

O Espírito Santo, por esta vida em Graça, torna-nos membros solidários de um mesmo Corpo, de uma mesma Família. Deus salva as pessoas uma a uma, mas dentro de uma família solidária. Tal como acontece no corpo humano, cada um dos membros recebe e dá ajuda às outras pessoas. Começamos assim ainda nesta vida uma comunhão de amor que vai durar para sempre no Céu. Esta é a vida da Igreja.

Jesus Cristo é o rochedo de onde manam para nós torrentes de graças. Não há salvação em mais nenhum outro. Jesus fala abertamente com esta mulher pecadora, ajudando-a a compreender a sua situação e a desejar uma mudança de vida. Ela não entende ainda, mas já captou uma réstia de luz. Quando o Mestre lhe diz que esta água apaga a sede de uma vez para sempre, ela pensa na canseira de vir muitas vezes ao dia encher o balde no poço, e imagina o que será a sua vida sem esta canseira. Onde encontrar a água da Graça? A mulher pede a Jesus que lhe dê dessa água. “Senhor, suplicou a mulher, dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la.” Cada um de nós, no íntimo do coração, repete este mesmo pedido.

O Senhor começou por nos dar esta água da Graça santificante no momento do Batismo. A água que foi derramada sobre a nossa cabeça significava e produzia essa vida sobrenatural.

Recuperamos esta vida, quando a perdemos pelo pecado mortal, no Sacramento da Reconciliação e Penitência. Para a recebermos novamente é preciso sinceridade na acusação dos pecados, arrependimento e propósito (desejo) de nunca mais voltar a pecar, pelo menos gravemente.

Os Sacramentos são para esta vida o que o alimento é para o corpo. A oração é a respiração da vida sobrenatural. Acontece, porém, que temos apenas dois Sacramentos que podemos receber frequentemente: a Confissão e a Sagrada Comunhão. Preocupada em que nos alimentemos, a Igreja convida-nos a comungarmos, pelo menos, uma vez por semana, na Missa dominical. Mas só o podemos fazer se estivermos na Graça de Deus. Perdendo esta Graça, nós a recuperamos através de uma Confissão bem feita.

Que Maria, Mãe da divina Graça, nos ensine e ajude a cuidar desta vida de Deus em nós.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen