Artigos, Bispos › 26/08/2019

Jesus, Mestre da humildade

“Naquele tempo, Jesus entrou em um sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos o observavam.”, nos diz o Evangelho deste Domingo (Lucas 14,1.7-14). Jesus não se furta em ir, por causa de sua Missão salvadora, à casa de um dos principais dos fariseus. A curiosidade nascida desta sua atitude é grande. Todos olhavam para Ele.  O olhar de Jesus é cheio de bondade e de amor, e exprime um desejo divino de ajudar a todos os presentes. Assim era quando olhava os doentes e aflitos que lhe apareciam nos caminhos da vida. Nesta situação, Ele aproveita o momento para dar a todos uma lição prática de humildade muito apropriada ao momento que estão vivendo.

O olhar de alguns presentes era cheio de orgulho e de importância, com um falso complexo de superioridade, como se não houvesse no mundo honras e homenagens capazes de deixá-los contentes. Não é difícil, infelizmente, encontrar pessoas que pensam que ninguém as merece e tratam os outros com altivez, como se os demais fossem inferiores.

Alguns eram simples curiosos. Tinham ouvido contar muitas maravilhas acerca de Jesus e estavam na esperança de poderem testemunhar alguma delas.

Finalmente, outros olhavam Jesus com uma atitude inquisitorial, à procura de o surpreenderem em alguma coisa que servisse de pretexto para condená-lo.

Jesus convida-nos a imitá-lo, não na realização de milagres, mas na humildade: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis alívio para as vossas almas, pois o meu jugo é suave e o Meu fardo é leve.” (Mateus 11, 29-30).

Que espécie de olhar é o nosso para as pessoas que vivem conosco ou com aquelas que nos encontramos em qualquer circunstância? De curiosidade? Olhar crítico, à procura de motivos para nos escandalizarmos e as podermos condenar? Ou é um olhar cheio de humildade, um olhar que nos faz aprender sempre com o que vemos, olhar movido por um desejo sincero de ajudar as pessoas?

As pessoas humildes encontram sempre motivos para se edificarem com os outros e alimentam um desejo grande de ajudá-los. A humildade levar-nos sempre a nos lembrar de que somos filhos de Deus. Desta lembrança de que estamos sempre na presença de Deus, há de nascer muitos e bons frutos de humildade.

Um deles é a reta intenção. Procuremos ter retidão em tudo, porque Deus vê-nos onde quer que estejamos. Deus conhece as nossas intenções, os nossos desejos, a verdade das nossas afirmações, e há de julgar-nos por isso. Outro fruto é a alegria interior. Muitas vezes, as nossas tristezas têm origem na nossa soberba, no nosso orgulho ferido. Por isso, o Senhor convida-nos, como o melhor dos amigos, para nos ajudar: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei.». A humildade leva-nos também ao desprendimento. Não perderemos tempo atrás dos louvores humanos, nem ficaremos tristes quando eles não vierem. Basta-nos que o Senhor esteja contente conosco, que nos sorria. É dele que nos vem a verdadeira recompensa.

Aprendamos de Jesus, neste Domingo, a verdadeira humildade.